Há um espetáculo particularmente deprimente ocorrendo no Brasil hoje, um que supera em patetismo até mesmo a brutalidade da invasão americana da Venezuela. É o espetáculo do brasileiro de direita, que se autointitula “patriota”, celebrando a violação de uma nação vizinha. Eles batem palmas para a imagem de um presidente latino-americano, seja ele quem for, sendo arrastado em grilhões para uma masmorra estrangeira.
Eles dizem, em sua imbecilidade triunfante, que é a “queda de um ditador de esquerda”. E com essa justificativa cretina, com essa miopia intelectual que beira a traição, eles endossam o ato mais vil que pode ser cometido contra um povo: a aniquilação de sua soberania.
Vamos desenhar para esses “patriotas” de coleira o que eles estão de fato comemorando. Esqueçam a ideologia por um segundo, se é que seus cérebros limitados conseguem. Não importa se o governo invadido é de direita, de esquerda, um reinado, um califado ou uma assembleia de anciões.
O que vocês celebram é isto:
- Um país estrangeiro invade um território soberano.
- Sequestra o chefe de Estado e seus ministros.
- Anuncia publicamente que vai administrar o país como uma colônia.
- E confessa, com a sinceridade dos canalhas, que vai saquear as riquezas minerais que pertencem àquela nação.
Você, que veste a camisa da seleção em manifestações, que se emociona com o hino, que se diz defensor da pátria, celebra isso? Você aplaude o direito de uma potência estrangeira de decidir quem governa seu vizinho e de roubar seus recursos?
Então você não é um patriota. Você é um idiota. Um pária. Um confesso traidor da pátria.
A sua alegria não é ideológica; é a manifestação de uma síndrome de vira-lata com pedigree, um desejo doentio de ser subjugado, desde que o chicote esteja na mão de quem você admira. É a confissão de que você não acredita na capacidade do seu próprio povo, ou de qualquer povo latino-americano, de decidir o seu destino. Você anseia por um dono.
Façamos um exercício de imaginação, já que a empatia lhes falta. Imaginem se o alvo fosse o Brasil. Imaginem se o presidente, seja ele quem for, fosse arrastado do Palácio do Planalto por fuzileiros navais estrangeiros. Imaginem Donald Trump anunciando que empresas americanas agora são as donas do nosso pré-sal, do nosso nióbio, da nossa Amazônia.
Vocês ainda estariam celebrando? Ou a sua “soberania” só vale quando o alvo é o quintal do vizinho?
Quem celebra a violação da soberania alheia está apenas leiloando a sua própria. Está dizendo ao mundo: “Podem vir. Estamos prontos para entregar tudo. Não temos dignidade, apenas preferência ideológica por quem nos irá dominar”.
A soberania não tem ideologia. E um traidor não tem desculpa.






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