A duas semanas das eleições gerais na Alemanha, milhares de pessoas foram às ruas neste sábado (08) para protestar contra o crescimento da extrema direita, representada principalmente pelo partido Alternativa para a Alemanha (AfD). Em Munique, mais de 250 mil manifestantes se reuniram sob o lema “A democracia precisa de você”, organizados por grupos como as “Avós contra a direita”. A iniciativa “Munique é colorida” destacou a importância da diversidade, dignidade humana e solidariedade em um momento crucial para o país.
Os protestos ganharam força após a recente aproximação entre a União Democrata Cristã (CDU), liderada por Friedrich Merz, favorito na disputa pela chancelaria federal, e o AfD, partido conhecido por sua retórica nacionalista e anti-imigração. No fim de janeiro, Merz contou com o apoio da AfD para aprovar uma moção no Bundestag que propunha restrições mais duras à entrada de migrantes. Essa aliança, vista como uma quebra de tabu, gerou críticas e preocupações sobre o fortalecimento da ultradireita no cenário político alemão.
Líderes políticos também participaram dos protestos. Em Hanover, o ministro da Defesa, Boris Pistorius, do Partido Social Democrata (SPD), afirmou que a aproximação com a AfD foi um erro e defendeu que “a porta da extrema direita deve permanecer fechada”. O chanceler federal Olaf Scholz apoiou as manifestações, classificando-as como um “forte símbolo de compromisso com a Constituição”.
Enquanto isso, Friedrich Merz tentou se distanciar da polêmica, afirmando que a CDU não consideraria “nenhum tipo de cooperação, muito menos coalizão” com a AfD. Ele declarou que “trairia a alma da CDU” se colaborasse com o partido de extrema direita, defendendo que uma vitória eleitoral seria a melhor maneira de conter sua ascensão. A aliança CDU/CSU lidera as pesquisas, com cerca de 30% das intenções de voto, enquanto o AfD aparece em segundo lugar, com aproximadamente 20%.
O AfD é visto como uma ameaça devido às suas posições ultranacionalistas, discursos anti-imigração e declarações que relativizam crimes nazistas. No ano passado, membros do partido foram acusados de participar de um encontro com neonazistas em Potsdam, onde teria sido discutida a deportação em massa de imigrantes e “cidadãos não assimilados”. Além disso, a candidata a chanceler do AfD, Alice Weidel, fez declarações polêmicas, como afirmar que Adolf Hitler era “comunista”, gerando indignação e reforçando as preocupações sobre o partido.
Os protestos refletem o temor de muitos alemães diante do possível crescimento da influência da AfD no Parlamento. Com eleições marcadas para 23 de fevereiro, a mobilização popular busca defender a democracia e os valores constitucionais, em um momento de incerteza e polarização no país.
Fonte: Mídia Ninja






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