Um dia depois de Donald Trump afirmar que não atacaria a infraestrutura de energia do Irã, Israel bombardeou instalações ligadas ao setor de gás iraniano e reacendeu a escalada militar no Oriente Médio. A contradição expõe o vazio das promessas de Washington e confirma que, na prática, o conflito segue avançando por decisão das potências que alimentam a guerra.
Segundo a imprensa iraniana, dois complexos do setor de gás e um gasoduto foram atingidos. Entre os alvos, houve danos parciais a um prédio administrativo e a uma estação de regulação de pressão em Isfahan. No sudoeste do país, outro gasoduto ligado a uma usina elétrica também foi bombardeado. Até aqui, não há balanço oficial completo sobre os prejuízos.
Poucas horas depois, o Irã respondeu com nova ofensiva de mísseis contra Israel. Sirenes tocaram em Tel Aviv e projéteis atingiram áreas residenciais, deixando ao menos quatro feridos, segundo a imprensa local. Equipes de resgate foram mobilizadas e autoridades israelenses afirmaram que o ataque pode ter sido feito com um míssil de fragmentação.
A guerra real desmente a retórica diplomática
A sequência dos fatos desmonta o discurso de contenção exibido por Trump na véspera. O presidente dos Estados Unidos disse que havia avanço em conversas com o Irã e que suspenderia ataques contra alvos energéticos, desde que o Estreito de Ormuz fosse reaberto. Um dia depois, porém, Israel fez exatamente o que a Casa Branca dizia evitar.
Não se trata de ruído isolado, mas de uma engrenagem imperial que opera em duas frentes: promete negociação enquanto autoriza destruição. A fachada diplomática serve para confundir mercados e opinião pública, enquanto a guerra continua sendo empurrada por bombardeios, ameaças e ocupações.
Escalada regional e mercado em pânico
A ofensiva também reverberou em países do Golfo. No Kuwait, estilhaços da defesa aérea danificaram linhas de energia. No Bahrein, houve alertas de mísseis. A Arábia Saudita disse ter interceptado 19 drones iranianos. Ao mesmo tempo, os preços do petróleo voltaram a subir após uma breve queda motivada pelo anúncio de Trump.
No plano político, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, acusou Estados Unidos e Israel de espalharem informações falsas para manipular mercados e esconder a realidade do conflito. A crise também veio acompanhada de mudanças internas em Teerã e de novos sinais de expansão militar israelense no sul do Líbano.
Com isso, o que se vê é uma guerra que se amplia em várias direções e que já não pode ser tratada como episódio pontual. A mentira sobre “recuo” dura pouco diante dos bombardeios. E o ataque ao setor de gás do Irã mostra, mais uma vez, que a lógica da escalada continua mandando no Oriente Médio.






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