Dólar
R$ 4.96 Desceu
Euro
5.804 Desceu
Brasília
23°C 26°C 17°C

Explore Mais

Colunas exclusivas e conteúdos especiais

VIDA

ÁUDIOS: Mais 9 homens acusam Alysson Mascaro, professor de Direito da USP, de assédio e abuso sexual

ALERTA DE GATILHO: Esta reportagem contém relatos de assédio e abuso sexual.

ALERTA DE GATILHO: Esta reportagem contém relatos de assédio e abuso sexual.

Mais nove homens acusam o jurista e professor de Direito da Universidade de São Paulo, Alysson Leandro Mascaro, de assédio e abuso sexual. Entre eles, há advogados, jornalistas e acadêmicos de Direito. Os casos relatados teriam ocorrido entre 2009 e o primeiro semestre de 2024 não apenas em São Paulo e na USP, mas em outras cidades brasileiras em que Alysson palestrou e participou de eventos. 

Os homens procuraram o Intercept Brasil para contar suas histórias depois que publicamos uma reportagem com relatos de dez alunos e ex-alunos de Alysson e seis testemunhas (leia aqui como fizemos essa apuração). Desde então, fomos contatados por mais de 40 pessoas que afirmam ter vivenciado episódios semelhantes aos divulgados ou têm amigos e familiares que teriam sido assediadas pelo professor. 

Na sexta-feira, 13, a Faculdade de Direito da USP anunciou o afastamento cautelar de Alysson Mascaro por 60 dias “a fim de bem garantir a apuração dos fatos descritos”. “Há fortes indícios de materialidade dos fatos e que estes envolvem possível enquadramento típico de assédio sexual vertical”, cita a portaria assinada pelo diretor da faculdade, Celso Fernandes Campilongo. 

Alysson está sendo investigado pela universidade em um procedimento apuratório preliminar após um pedido de entidades de graduação e pós-graduação motivado pela nossa reportagem. Como parte do procedimento, a USP colheu o depoimento de pessoas que relataram terem sido assediadas por Alysson. O professor nega as acusações e afirma que está sendo perseguido.

Na quarta-feira, 18, ex-alunos do grupo de pesquisa coordenado por Alysson e vinculado à USP assinaram uma nota em solidariedade às pessoas que se dizem vítimas do professor e reiterando “a expectativa de que haja elucidação dos fatos”. Até a publicação desta reportagem, a nota já tinha mais de 55 assinaturas. 

Os nove novos relatos que contaremos a seguir são de pessoas que dizem ter sido assediadas por Alysson. Nos depoimentos, elas corroboram o padrão de comportamento e abordagem do professor descritos na primeira reportagem

Também narram a dificuldade e o medo de denunciar – um dos homens afirma que Alysson parou de respondê-lo em seu pedido sobre orientação depois que ele não correspondeu às investidas sexuais do professor. Além disso, descrevem os impactos dos episódios em suas vidas: alguns dizem ter desistido de seguir os estudos, outros desenvolveram sequelas psicológicas. “Eu larguei a faculdade, meu casamento acabou, entrei em depressão”, relatou um deles. 

Todos os homens terão suas identidades anonimizadas para protegê-las de eventuais retaliações, mas suas identidades são conhecidas pelo Intercept. Seus relatos também foram checados e confirmados com terceiros. Além disso, outras fontes documentais foram consultadas a partir das informações narradas, incluindo e-mails, reservas de hotéis, fotos, trocas de mensagens e dados de localização. 

Desta vez, com autorização dos entrevistados, também vamos publicar áudios dos relatos. As vozes foram distorcidas para evitar a identificação das pessoas. Ouça, a seguir, trechos dos depoimentos:

Alysson Mascaro foi procurado pelo Intercept para comentar cada um dos novos relatos. Também foi questionado a respeito do seu afastamento. Até a publicação desta reportagem, ele não respondeu.  Em resposta a nossos questionamentos anteriores, sua a defesa havia informado que as afirmações “carecem de materialidade, uma vez que as imputações são fundadas em supostos relatos obtidos por meios manifestamente ilícitos e espúrios, que já estão sob apuração policial” e que “o contexto da reportagem foi construído por contas falsas, que operam com o objetivo expresso de macular a honra de Alysson Mascaro”. Leia aqui a resposta completa.

A Faculdade de Direito da USP também foi contatada para comentar sobre o procedimento apuratório preliminar e que mecanismos oferece para receber denúncias em caso de assédio ou abuso sexual. Não houve resposta até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto.

Surpresa no quarto de hotel

Um dos novos relatos feitos ao Intercept é de um caso que teria ocorrido em Londrina, no Paraná, em 2016. O homem relata que havia conhecido o trabalho de Alysson dois anos antes por indicação de um amigo. Após uma palestra dada pelo professor na cidade, ele disse que foi até Alysson em busca de indicações de livros e uma orientação para os estudos. Contou que o professor teria lhe dado o número de WhatsApp e o e-mail pessoal para manterem contato.

O homem diz que, quando chegou em casa, enviou uma mensagem para Alysson. O professor teria respondido pedindo que ele fosse ao hotel onde estava hospedado para conhecê-lo melhor, já que iria embora na manhã seguinte. “Fui, mesmo sendo à noite, justamente porque enxerguei nessa relação a possibilidade de aprender mais e alcançar meu sonho de ser professor universitário”, ressalta. Ele ressalta que é heterossexual e, à época, estava casado e tinha um filho recém-nascido. 

Quando chegou no hotel, conta o homem, o professor teria aberto a porta vestindo apenas cueca e mandado que ele entrasse. O jovem, que tinha 20 anos na ocasião, afirma que entrou, embora tenha achado estranho o fato de Alysson, segundo ele, não estar usando outras peças de roupa. 

Eu larguei a faculdade, meu casamento acabou, eu entrei em depressão. Tive que ser internado em uma clínica psiquiátrica.

“Não enxerguei o que estava acontecendo, até porque achei que ele fosse uma pessoa do bem, afinal de contas é um professor que fala de marxismo, comunismo, etc. Jamais me passou pela cabeça a ideia de que eu poderia vir a ser estuprado por ele”, relata.

Depois que adentrou o quarto, diz o homem, Alysson teria avançado em sua direção. Ele relata ter entrado em choque e ficado paralisado. “Pedi a ele várias vezes que parasse, mas realmente não tive nenhuma reação mais incisiva. Eu poderia sim ter agredido ele, mas não apenas tive medo das consequências, porque quem o conhece sabe que ele vive em círculos de juízes e desembargadores, mas porque achei que ninguém fosse acreditar em mim”, detalha.

Ele afirma que sua vida desabou depois do que ocorreu. Também diz não ter conseguido contar o que havia acontecido a ninguém de sua família, nem mesmo à esposa. “Eu larguei a faculdade, meu casamento acabou, eu entrei em depressão. Tive que ser internado em uma clínica psiquiátrica”, explica.

O homem ainda observa que só conseguiu retornar à universidade dois anos depois do ocorrido. Hoje, casado com outra pessoa e já pai de mais uma filha, ele diz ter conseguido voltar ao meio acadêmico. 

Um caso semelhante que teria ocorrido dois anos antes foi relatado ao Intercept por outro homem. Ele diz que, em 2014, Alysson participou e foi um dos palestrantes na abertura do Congresso Jurídico Espírita em Campinas, no interior de São Paulo. Além de ser reconhecido por sua atuação no Direito, o professor já publicou livros e artigos e fez palestras sobre espiritismo. 

O homem conta que conheceu o professor já no congresso, que foi realizado em um hotel. “Na abertura, acabei me maravilhando com a fala dele, tinha naquele momento botado ele como um ídolo quase, porque ele estava conseguindo alinhar muitas coisas que eu acreditava na época, uma leitura fantástica, bem progressista”, afirma.

‘Nunca me senti confortável de relatar isso porque também não quis causar a mesma desilusão que eu tive com a imagem do professor’.

Depois da abertura do evento, o homem diz que, junto de amigos que viajaram com ele, foi conversar com Alysson. Ele afirma que saíram da sala e pegaram o elevador juntos, pois estavam todos hospedados no mesmo hotel onde ocorria o congresso. 

Neste momento, o professor teria prometido passar ao aluno indicações de leitura e bibliografia e sugerido que, para isso, ele fosse até seu quarto. O homem relata que seus amigos foram para o quarto deles, enquanto ele acompanhou o professor. 

“Eu subi no elevador com ele, animado para a conversa e pela abertura para anotar bibliografia, para ter uma conversa ali sobre a pesquisa ali da área dele, de teoria do Direito”, conta. Já dentro do quarto de Alysson, segundo o homem, o professor teria passado ao aluno, que fazia anotações, alguns nomes quando, então, teria pedido que ele sentasse na cama.

“Eu estava distraído, meio que ainda eufórico, anotando algumas coisas. Nisso, ele se aproximou de mim e já foram uns toques um tanto quanto estranhos. Tentei me esquivar, fui levantando da cama, e ele foi tentando me agarrar”. O homem, que tinha 20 anos na época, relata que o professor o teria abraçado, agarrado e tentado contê-lo para impedir que saísse do quarto. Mas ele conseguiu deixar o local.

Ele diz ter ficado em choque e que não conseguiu contar o ocorrido aos amigos que o acompanhavam na viagem. Foi só após a primeira reportagem do Intercept que o homem afirma ter falado sobre o que aconteceu com ele – dez anos depois. 

“Nunca me senti confortável de relatar isso a elas porque também não quis causar a mesma desilusão que eu tive com a imagem do professor Alysson na época, não porque eu ache que ele mereça respeito, mas porque eu não queria que tivessem o choque que eu tive aquele dia. Acabou que não fiz meu papel de relatar iss

Fonte: Intercept Brasil

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Final da página
WhatsApp

Frente LIVRE

Normalmente responde dentro de uma hora
Frente LIVRE

Olá 👋

Fale com o ciberporto da esquerda popular ✊💡

20:57