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Bancada da bala rejeita Derrite e questiona sua capacidade de articulação

Relator do PL Antifacção sofre derrota política ao tentar protagonismo em segurança pública

O deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) enfrenta rejeição da bancada da bala no Congresso após ser escolhido como relator do Projeto de Lei Antifacção (PL 5582/2025). A escolha, feita com apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), incomodou deputados que já atuavam na pauta de segurança pública desde o início do mandato. Para a bancada da bala, a chegada repentina de Derrite representa uma tentativa de apropriação eleitoral de um tema que é deles há anos.

O cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), é direto: “Isso pegou um tanto mal dentro do Congresso, inclusive na bancada da bala, que está desde o início do mandato fazendo as suas articulações. E esse que, de repente, apenas com fins eleitoreiros, foi colocado como relator”.

A estratégia eleitoral que não funcionou

Derrite se licenciou do comando da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo para relatar o PL Antifacção, com objetivo de projetar seu nome para uma possível candidatura ao Senado em 2026. Porém, as mudanças constantes no texto do projeto — chegando a quatro versões com possibilidade de quinta edição — revelaram fragilidade na articulação política.

A falta de consenso fez pairar dúvidas sobre a capacidade de Derrite em viabilizar o projeto no Congresso. Governadores de direita do Consórcio da Paz pediram ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o adiamento da votação até que o Senado e o Supremo Tribunal Federal (STF) dessem sinal positivo. “Não nos interessa em nada aprovar uma legislação que fique parada no Senado ou que seja considerada inconstitucional pelo STF”, afirmou o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL).

Derrota significativa e impacto político

Lincoln Telhado, cientista político especialista em relações governamentais, avalia que se trata de uma “derrota significativa” para Derrite, especialmente porque o Consórcio da Paz é composto por governadores do mesmo campo ideológico, incluindo Tarcísio de Freitas.

“O que era para ser uma rápida incursão dele aqui em Brasília acabou falhando, e isso é muito ruim politicamente para a imagem dele, porque evidencia publicamente talvez uma falta de capacidade de articulação. Para as alianças políticas, é um pouco complicado, porque demonstra uma falha nessa capacidade. Isso pode até dificultar futuras alianças, pois pode passar a impressão de que ele não é alguém com quem seja fácil firmar parcerias”, afirma Telhado.

Os recuos que irritaram a bancada

Entre os recuos que mais irritaram a bancada da bala está a decisão de Derrite de não equiparar crimes de organizações criminosas ao terrorismo. A bancada defendia essa equiparação como forma de endurecer o combate ao crime organizado.

Outro ponto de fricção foi a mudança sobre o papel da Polícia Federal. Derrite inicialmente previa que a PF atuaria nos estados somente mediante autorização dos governadores. Após reação da corporação, incluiu a possibilidade de atuação por iniciativa própria. Esse recuo foi visto pela bancada da bala como enfraquecimento da proposta.

Tentativa de limpeza de imagem

Além da polarização com o governo federal, Derrite parece usar a relatoria do PL para “limpar sua imagem” ligada ao aumento da letalidade policial em São Paulo. A Polícia Militar de São Paulo somou 737 assassinatos em 2024, segundo dados do Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público (Gaesp-MPSP). O número é 60,2% maior do que em 2023 e 86% maior do que em 2022.

O professor Paulo Niccoli Ramirez questiona essa estratégia: “A tentativa de polarização pode repercutir de maneira negativa na sociedade, uma vez que o assunto da segurança pública é de interesse nacional. A segurança pública não precisa ser um tema só da esquerda ou da direita, mas de um novo pacto social que una especialistas. Esse talvez tenha sido um erro estratégico ao tentar incorporar essa pauta exatamente num instante de oportunismo político”.

Pesquisa mostra apoio a pautas punitivistas

Apesar da rejeição da bancada da bala, pesquisa Genial/Quaest desta quarta-feira (12) mostra que a sociedade tem tendência punitivista. Quase metade (46%) apontou que o enfrentamento ao crime passa por leis mais duras e penas mais longas. Na mesma direção, 88% consideram que as penas aplicadas hoje são brandas, e 73% defenderam que organizações criminosas sejam enquadradas como grupos terroristas.

Obstáculo adicional: manifestação de policiais

Na próxima semana, no dia 18 de novembro, 22 entidades que representam policiais civis e militares de São Paulo farão manifestação contra Derrite e Tarcísio pelo descumprimento de promessas feitas durante a campanha de 2022, como plano de carreira, mudanças na jornada de trabalho e melhorias na remuneração.

Impacto eleitoral limitado, mas danos políticos reais

Telhado avalia que não há impacto eleitoral importante neste momento, já que Derrite desponta como o mais viável entre nomes da direita cotados para o Senado por São Paulo. Outro nome que circula é o do deputado Eduardo Bolsonaro (PL), mas o STF formou maioria para torná-lo réu, o que pode abrir caminho para impugnação de sua candidatura.

“É muito pouco provável que o Eduardo Bolsonaro seja candidato. É provável que a candidatura dele seja impugnada. Então, os votos naturais do Eduardo Bolsonaro tendem a se dividir, e boa parte deles pode migrar para o Derrite, que é o candidato mais identificado com a direita”, afirma Telhado.

Porém, os danos políticos são reais. A rejeição da bancada da bala e a falta de consenso no Congresso evidenciam que a tentativa de Derrite de se projetar nacionalmente através da relatoria do PL Antifacção não saiu como planejado.

Fonte: Brasil de Fato

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