O governo brasileiro voltou a criticar com firmeza as ações de Israel na Cisjordânia ocupada. Desta vez, o motivo foi o anúncio da construção de 22 novos assentamentos israelenses em território palestino, feito na última quinta-feira (29) pelo ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich figura da extrema-direita sionista e defensor da anexação da região.
Em nota oficial publicada neste domingo (1º), o Ministério das Relações Exteriores (MRE) condenou “nos mais fortes termos” a iniciativa israelense, classificando-a como “flagrante ilegalidade perante o direito internacional”. Para o Itamaraty, a medida viola o parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça (CIJ) de julho de 2024, que considera ilícita a presença contínua de Israel em territórios palestinos ocupados.
A nota diplomática do governo brasileiro reafirma que os novos assentamentos impõem “situação equivalente à anexação do território palestino” e sabotam qualquer possibilidade real de paz baseada na solução de dois Estados. Além disso, reitera o apoio histórico do Brasil à criação de um Estado Palestino viável, com fronteiras de 1967, incluindo Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental como capital.
Durante a convenção nacional do PSB, também neste domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou publicamente o conteúdo da nota e foi além. Diante de uma plateia que entoava gritos de “Palestina Livre“, Lula chamou de genocídio a atuação de Israel na Faixa de Gaza.
“Essa guerra não é entre dois exércitos. É um massacre conduzido por um governo que quer destruir a possibilidade de um Estado Palestino. Israel não está atrás do Hamas. Está atrás de Gaza”, declarou.
“É um exército altamente treinado atacando mulheres e crianças. Isso não é uma guerra. É genocídio, em total desrespeito às decisões da ONU”, afirmou Lula.
O endurecimento da posição brasileira ocorre em meio à pressão internacional sobre o governo de Benjamin Netanyahu, cada vez mais isolado por medidas como bloqueios históricos na Cisjordânia, bombardeios em áreas civis e ampliação ilegal dos assentamentos considerados crimes de guerra por convenções internacionais.
[Contexto internacional: o Brasil diante do conflito]
| Tema | Israel | Posição do Brasil |
|---|---|---|
| Assentamentos na Cisjordânia | Aprovados unilateralmente, mesmo sob sanções | Condenados como ilegais e anexionistas |
| Guerra em Gaza | Justificada como “combate ao Hamas” | Classificada como genocídio |
| Direito internacional | Ignorado em decisões recentes | Base para condenações oficiais |
| Solução de dois Estados | Descartada por lideranças israelenses | Reafirmada como única via legítima |
| Posição na ONU | Alinhado com EUA, rejeita condenações | Defende reformas e equilíbrio multilateral |
Fonte: Agência Brasil






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