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GEOPOLÍTICA

Brasil e China selam maior pacote de cooperação da década durante visita de Lula a Pequim

Com R$ 27 bilhões em investimentos, acordos bilaterais firmados por Lula e Xi Jinping reforçam o papel dos dois países como eixos de estabilidade diante da crise global

Em meio a um cenário de tensão geopolítica e guerras comerciais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concluiu, nesta terça-feira (13), a mais robusta rodada de acordos bilaterais de seu terceiro mandato, durante visita oficial à China. Ao lado do presidente Xi Jinping, Lula celebrou quase 30 atos formais de cooperação e R$ 27 bilhões em novos investimentos no Brasil — consolidando uma aliança estratégica que ultrapassa o campo econômico.

A parceria sino-brasileira foi reafirmada como pilar de estabilidade global, em contraposição ao protecionismo dos EUA e à fragmentação das cadeias produtivas. Para Lula, a cooperação com Pequim expressa uma nova fase do multilateralismo com base em “complementaridade econômica, solidariedade no Sul Global e resistência ao unilateralismo”.


Principais investimentos anunciados

Empresa Valor Setor Destaques
GAC Motors R$ 6 bi Indústria automotiva Foco em exportação para América do Sul e México
Meituan (Keeta) R$ 5 bi Delivery & tecnologia Até 100 mil empregos indiretos no Brasil
Envision R$ 5 bi Indústria limpa Parque industrial net-zero (SAF e hidrogênio verde)
CGN R$ 3 bi Energia renovável Hub solar-eólico no Piauí
Mixue R$ 3,2 bi       Bebidas e alimentação         25 mil empregos previstos até 2030
Baiyin Nonferrous R$ 2,4 bi Mineração Compra da mina Serrote, em Alagoas
Windey + SENAI ND P&D em energia Criação de centro nacional de inovação
Longsys ND Semicondutores Novo ciclo em microeletrônica
DiDi (99) ND Mobilidade Ampliação de serviços no país
Farmacêuticas chinesas ND IFAs e vacinas Centro de excelência em bioindústria

Diplomacia econômica e infraestrutura integrada

Além da agenda industrial, Lula avançou em infraestrutura estratégica com apoio direto de empresas e bancos chineses:

  • Leilão do Túnel Santos-Guarujá: empresas chinesas interessadas em aporte de R$ 6 bi.

  • Portos públicos: R$ 5 bi para modernização logística.

  • Aviação: parceria com universidade chinesa e novas rotas para Embraer.

  • Ferrovias FIOL e Transnordestina: corredores bioceânicos para exportação via Pacífico.

“As Rotas de Integração Sul-Americanas são vetores de desenvolvimento regional, não apenas corredores de exportação”, afirmou Lula.


Guerra comercial e crítica ao protecionismo

Lula e Xi Jinping criticaram o protecionismo norte-americano e as tarifas adotadas por Donald Trump. O presidente brasileiro foi direto:

“Não há vencedores em guerras comerciais. Elas corroem a renda dos mais vulneráveis.”

A recente trégua tarifária entre EUA e China preocupa setores no Brasil. No setor têxtil, por exemplo, a oportunidade de ocupar espaço no mercado americano pode se reduzir. O governo brasileiro segue monitorando os efeitos desse rearranjo global.

CELAC-China e articulação do Sul Global

Durante o IV Fórum CELAC-China, Lula defendeu maior integração regional e elogiou o protagonismo chinês no financiamento de obras estruturantes na América Latina.

“O apoio chinês já supera o BID e o Banco Mundial na região”, destacou.

O presidente propôs cooperação em inovação, segurança alimentar, adaptação climática e autossuficiência sanitária, além de defender a eleição de uma mulher para o comando da ONU.

“A governança global precisa espelhar a diversidade do planeta.”


Diplomacia climática e soberania digital

A parceria também se estende à agenda ambiental, com destaque para:

  • COP30 em Belém como marco global da justiça climática

  • Monitoramento por satélite (CBERS-5 e 6)

  • Compromissos conjuntos na redução de emissões

“É possível combater a mudança climática sem abrir mão do crescimento e da justiça social”, disse Lula.

Lula também alertou para o risco de a inteligência artificial aprofundar desigualdades globais e defendeu cooperação internacional para garantir acesso justo à tecnologia.


Brasil reposicionado no mundo

A visita de Lula à China sela um novo capítulo na política externa brasileira, guiado pela lógica da multipolaridade, soberania econômica e integração regional. Em um mundo cada vez mais instável, Brasil e China surgem como forças complementares na reconstrução do sistema internacional.

“Se depender de nosso governo, a relação Brasil-China será indestrutível. Porque a China precisa do Brasil, e o Brasil precisa da China”, afirmou Lula ao encerrar sua agenda em Pequim.

Fonte: Portal Vermelho

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