O primeiro caça F-39E Gripen produzido no Brasil foi apresentado nesta quarta-feira a Lula, em cerimônia realizada no Aeródromo Embraer Unidade Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. O batismo da aeronave marca um passo importante para a indústria de defesa brasileira e simboliza a passagem de um projeto de transferência tecnológica para uma etapa de produção efetivamente nacional.
Segundo o governo, o feito coloca o Brasil em um seleto grupo de países capazes de desenvolver e fabricar aeronaves de combate de alta complexidade — algo ainda inédito na América Latina. A entrega também carrega peso político: em um país historicamente dependente de tecnologia estrangeira na área militar, o Gripen nacional aparece como um sinal de autonomia industrial e de capacidade estratégica.
Defesa, tecnologia e soberania
A Força Aérea Brasileira destaca que o programa traz efeitos além da aviação militar. O contrato prevê transferência de tecnologia, qualificação de trabalhadores brasileiros e fortalecimento da Base Industrial de Defesa. Já são mais de 2 mil empregos diretos e cerca de 10 mil indiretos ligados ao projeto.
Presente ao evento, Geraldo Alckmin lembrou que o governo federal liberou, via BNDES, R$ 108 bilhões para projetos de inovação. Ele afirmou que “quem domina tecnologia domina o futuro” e defendeu a indústria de defesa como uma espécie de seguro para a soberania nacional.
O ministro da Defesa, José Múcio, foi na mesma linha e disse que produzir o caça no Brasil amplia o acesso a tecnologias de ponta e fortalece a indústria nacional. Para ele, o avanço consolida o país como polo produtor na América Latina e reforça o poder dissuasório brasileiro.
O novo capítulo da aviação
Para o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do Ar Marcelo Damasceno, a entrega do Gripen representa um marco histórico. Ele lembrou que, das 36 aeronaves compradas, 15 serão produzidas em solo brasileiro, o que deve aprofundar a cadeia produtiva e ampliar o valor agregado do programa.
“Temos totais condições de produzir mais aeronaves Gripen em território nacional, uma vez que já dispomos de uma base industrial e tecnológica sólida, de capital humano altamente qualificado e, principalmente, da visionária capacidade de empreender e inovar, típica do DNA brasileiro”, acrescentou.
No mesmo evento, Lula também conheceu o carro-voador eVTOL, protótipo 100% elétrico desenvolvido pela Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer. O presidente não discursou, mas a imagem do encontro resume bem o momento: o país tenta transformar promessa tecnológica em indústria concreta.






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