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chinês ensina derrubar f-35
Vídeo em mandarim com legendas em persa traz tutorial passo a passo para abater o avião considerado a jóia da indústria aeronáutica militar norte-americana. O Irã já derrubou pelo menos três deles nas últimas semanas. Foto: Reprodução Vídeo
GEOPOLÍTICA

China viraliza com tutorial de derrubar F-35

Vídeo em persa antecedeu anúncio iraniano sobre caça abatido

Pequim (CHI) – Um vídeo de um engenheiro chinês ensinando, com legendas em persa, como o Irã poderia abater os caças F-35 se tornou viral nas últimas semanas após um desfecho que o transformou em objeto de intenso debate: cinco dias depois de o tutorial ser postado, o Irã anunciou ter atingido exatamente este modelo de aeronave. Foi a primeira vez que um F-35, um dos caças mais avançados, foi atingido na história. Nesta sexta-feira (3), o Irã anunciou que teria atingido o segundo F-35.

O conteúdo foi publicado em 14 de março pelo perfil (em chinês) “Velho Hu fala sobre o mundo“, no Bilibili, a plataforma de vídeos horizontais da China, e acumula 93 mil visualizações.

O criador não divulga o nome civil, prática comum na China, onde produtores de conteúdo digital frequentemente adotam pseudônimos mesmo quando aparecem com o rosto descoberto em vídeos.

Cinco dias após a publicação do vídeo, em 19 de março, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC) do Irã anunciou que suas defesas aéreas haviam atingido um F-35 estadunidense no espaço aéreo central do país por volta das 2h50 no horário local. O Pentágono confirmou que a aeronave fez um pouso de emergência após ser danificada durante missão de combate sobre o Irã.

Quem é o criador e por que o vídeo ganhou credibilidade

O conteúdo do “Velho Hu” é centrado em análises de tecnologia aeroespacial, drones e geopolítica militar. Ele tem formação pela Universidade Politécnica do Noroeste, de Xi’an, instituição com estreita ligação com programas de defesa e aeroespacial chineses que integra lista de entidades sancionadas pelo governo estadunidense por supostos vínculos com o desenvolvimento militar do país.

O tutorial foi feito com legendas em persa, idioma oficial do Irã, indicando que o autor tinha como alvo explícito uma audiência iraniana.

A explicação

No vídeo, o engenheiro explica que o F-35 é projetado para escapar da detecção por radar convencional graças ao seu formato aerodinâmico, a materiais que absorvem sinais de radar e ao armazenamento interno de armamentos, o que reduz a superfície detectável. O termo em inglês para esse tipo de aeronave é stealth (literalmente “furtivo”), e em português costuma ser traduzido como “aeronave furtiva”.

A principal vulnerabilidade apontada no tutorial está nos sensores eletro-ópticos e infravermelhos (EO/IR): ao contrário dos radares, esses sistemas não emitem sinais detectáveis e, portanto, não acionam os alertas das aeronaves furtivas. “As análises de especialistas chineses indicam que o incidente de 19 de março é consistente com uma interceptação por EO/IR. A aeronave provavelmente não recebeu alerta de radar antes de ser danificada”, segundo o site China Strategy.

O sistema de defesa aérea iraniano AD-08 “Majid”, móvel e de curto alcance, utiliza rastreamento eletro-óptico e mísseis de guiamento infravermelho, e teria capacidade para esse tipo de interceptação. Imagens divulgadas pelo Irã mostram, por meio de sensores de rastreamento óptico-infravermelho, o momento em que um míssil atinge a aeronave, que continua voando sem explosão visível ou ejeção do piloto.


Vídeo “Abatendo o F-35: Desmontagem e ensino de como derrubar aeronaves” do usuário “Velho Hu fala sobre o mundo”, na plataforma de vídeos chinesa Bilibili.

Análises militares são comuns na internet chinesa

O caso do “Velho Hu” não é isolado. Nos últimos anos, uma geração de criadores de conteúdo especializado em temas militares consolidou presença nas plataformas de vídeo chinesas, em especial no Bilibili, com produções de alta qualidade técnica que combinam simulações, reconstruções históricas e análises aprofundadas de equipamentos militares.

O criador Jia You Shen Shou, por exemplo, utiliza ferramentas como Unreal Engine 5 e DCS World para produzir curtas-metragens sobre cenários de guerra moderna. Sua série “WW3”, que aborda guerra eletrônica, assaltos blindados em alta altitude e dissuasão estratégica, ultrapassou um milhão de seguidores no Bilibili até o início de 2026.

Já o usuário TomCat Tuanzuo é especializado em análises da Guerra de Resistência contra o Japão e da Guerra de Libertação da China, frequentemente citando documentos de arquivo; seu trabalho mais visto, “Os diferentes truques usados pelos generais do Kuomintang ao serem capturados”, acumula mais de 2 milhões de visualizações na plataforma. Uma conta hoje inativa, “Simulação de batalha em mesa de areia”, utilizava animações de maquetes dinâmicas para reconstruir campanhas como a Longa Marcha e a Guerra de Resistência à Agressão Estadunidense e de Apoio à Coreia, chegando a ser referenciada pela mídia estatal chinesa em programas especiais.

O ecossistema inclui ainda criadores com formações profissionais específicas: o ex-jornalista militar Xi Ya Zhou publica regularmente análises sobre geopolítica e indústria de defesa; Fei Yu She é especializado em sistemas navais e aéreos com ênfase em dados verificados e especificações técnicas; Jun Wu Zhi atualiza consistentemente conteúdo sobre equipamentos militares em serviço ativo; e Xue Ran De Feng Fan documenta sistematicamente a história da aviação naval desde a Primeira Guerra Mundial até o presente.

Sem comprovação de relação causa e efeito

Não há evidência ou confirmação oficial de que o vídeo do engenheiro tenha influenciado diretamente a operação iraniana. A coincidência temporal entre a publicação do tutorial e o ataque, embora notável, não estabelece relação de causa e efeito. O Irã possui seu próprio corpo de engenheiros e especialistas militares, e o desenvolvimento de suas capacidades de defesa aérea antecede em décadas o conflito atual.

Mesmo assim, a precisão da análise técnica, especialmente no que diz respeito ao uso de sensores infravermelhos para neutralizar a vantagem furtiva do F-35, gerou intenso debate nas redes sociais chinesas, onde o criador passou a ser descrito por alguns usuários como “profético”.

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