Ao depor formalmente no julgamento dos golpistas, hoje, no Supremo Tribunal Federal, o tenente-coronel Mauro Cid confirmou que Jair Bolsonaro não apenas sabia da existência da minuta golpista como participou ativamente das tentativas de fraudar as eleições e articular um golpe de Estado. As revelações ocorreram durante as audiências transmitidas ao vivo pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e mostram, em detalhes, que a tentativa de ruptura democrática foi coordenada do topo do poder. Entre os fatos narrados, Cid afirmou ter entregado dinheiro em espécie a mando do general Braga Netto e confirmou que o ex-presidente pediu o monitoramento ilegal do ministro Alexandre de Moraes.
As declarações do ex-ajudante de ordens escancaram o envolvimento direto de Bolsonaro e sua cúpula militar na construção de uma narrativa falsa sobre fraude eleitoral, como justificativa para um possível decreto de intervenção. A delação de Cid enfraquece ainda mais a defesa dos réus da trama golpista, que começa a ser julgada pelo STF. O depoimento também reforça os indícios de uso indevido da estrutura do Estado para perseguir autoridades do Judiciário e preparar medidas autoritárias que colocavam em risco a democracia brasileira.
1. Sacolas de vinho com dinheiro
Mauro Cid afirmou ter recebido uma quantia em dinheiro dentro de uma sacola de vinho repassada pelo general Walter Braga?Netto. O valor, segundo o delator, foi entregue a um major do “kids pretos”, uma unidade militar de elite e teria origem atribuída a “pessoal do agronegócio”.
2. Pedido de monitoramento de ministro do STF
Cid confirmou que Jair Bolsonaro solicitou que sua equipe mantivesse vigilância sobre o ministro Alexandre de Moraes. A motivação seria apurar suposto encontro entre Moraes e o vice-presidente Hamilton Mourão, no fim do mandato de Bolsonaro.
3. Bolsonaro leu e alterou minuta golpista
O militar revelou que Bolsonaro participou de reunião em que foi apresentada uma minuta elaborando estado de sítio e prisão de ministros do STF incluindo Alexandre de Moraes e teria sugerido mudanças no texto .
4. Busca por fraude nas urnas como pretexto para intervenção militar
Cid também relatou que o ex-presidente e Braga?Netto incentivaram pressionar os militares para justificar, por meio de supostas fraudes nas eleições, uma eventual intervenção militar.
O que está em jogo?
Essas revelações emergem justamente no início dos interrogatórios promovidos pelo ministro Alexandre de Moraes. Entre os réus estão Bolsonaro, Braga?Netto e outros membros do chamado “núcleo crucial” do suposto golpe de Estado, sob a acusação de crimes como organização criminosa armada e tentativa de abolir o Estado democrático de Direito. As audiências ocorrem de?9 a?13 de junho.
Por que isso importa para o Brasil:
-
Transparência judicial: O país assiste ao desvelar de tramoias que envolvem agentes públicos de alta hierarquia, o que envolve controle das Forças Armadas e segurança institucional.
-
Precedente histórico: O depoimento de Cid é o primeiro do “núcleo?1”, abrindo caminho para revelações sobre as tentativas de golpe.
-
Respeito à democracia: A responsabilização dos envolvidos será decisiva para reafirmar o sistema democrático e prevenir que fraudes ou uso das Forças Armadas sejam usados para minar eleições.
Em síntese, o depoimento de Cid expõe esquemas paralelos de poder, envolvendo dinheiro, espionagem, planejamentos golpistas e narrativas de fraude um alerta grave sobre os riscos à democracia brasileira.






Deixe seu comentário