Dólar
R$ 4.96 Desceu
Euro
5.804 Desceu
Brasília
23°C 26°C 17°C

Explore Mais

Colunas exclusivas e conteúdos especiais

VIDA

Condenado no TSE por publicação de fake news, Nikolas Ferreira assume relatoria de PL sobre tema na CCJ

Em um de seus últimos atos como presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, Caroline De Toni (PL-SC) nomeou o também bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG) como relator de uma proposta que converte em crime a produção e a distribuição de "comunicação enganosa em massa no processo eleitoral".

Em um de seus últimos atos como presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, Caroline De Toni (PL-SC) nomeou o também bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG) como relator de uma proposta que converte em crime a produção e a distribuição de “comunicação enganosa em massa no processo eleitoral”. A medida em questão é o Projeto de Lei (PL) 2251/2024, de autoria da deputada Erika Kokay (PT-DF), que foi protocolado em meados deste ano e prevê mudanças no Código Penal em relação ao tema.

Um dos nomes mais vocais da base bolsonarista no Congresso Nacional, Nikolas Ferreira tem se mostrado crítico à ideia de criminalização de fake news, prática que levou diferentes nomes da extrema direita a serem investigados no Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito de inquérito que trata do tema. O próprio parlamentar já foi multado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por publicação de fake news nas eleições de 2022. Ele foi condenado ao pagamento de uma multa no valor de R$ 30 mil, recorreu ao STF e teve o recurso negado pelo ministro Edson Fachin em abril deste ano. A defesa do parlamentar argumentou, na época, que supostamente teria tirado o conteúdo de veículos de imprensa.

O PL proposto por Erika Kokay está no centro de uma das principais disputas políticas travadas no Congresso Nacional nos últimos anos: a definição dos limites entre o exercício da liberdade de expressão e os ataques políticos massificados por meio de fake news. De um lado, um conjunto de parlamentares de diferentes partidos defendem a criminalização da veiculação de conteúdos falsos; de outro, bolsonaristas têm se mostrado contrários a propostas dessa natureza. Um outro projeto de lei de teor semelhante, o PL 2630/2020, chegou a ter um grupo de trabalho criado este ano, mas a proposta não engatou por falta de acordo.

O PL 2251/2024 insere o crime de comunicação enganosa em massa no capítulo do Código Penal referente às condutas que atentam contra o funcionamento das instituições democráticas no processo eleitoral, com previsão de pena de prisão de dois a seis anos, além de multa. O texto fixa ainda algumas outras previsões: para agente que cometa o crime no exercício da função pública ou em razão dela, a pena deve ser ampliada em um terço; se o crime for cometido com uso de inteligência artificial, a pena prevista é 50% maior; o mesmo deve valer para quem é enquadrado nessa conduta utilizando provedores de conexão de internet hospedados no exterior, segundo propõe Erika Kokay.

No texto, ao citar estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, a petista defende a criminalização dessas condutas com base nos estragos causados pela disseminação de conteúdos falsos. Estudo feito por pesquisadores da instituição apontou, em 2018, que as fake news circulam até 70% mais do que conteúdos verdadeiros. Os pesquisadores chegaram a essa conclusão por meio do monitoramento de 126 mil postagens publicadas entre 2006 e 2017 no antigo Twitter, hoje chamado de “X”.

“Lastimavelmente, pessoas e grupos se apropriaram indevidamente de uma garantia constitucional utilizando-a como trincheira para, deliberadamente, distorcer fatos da realidade e manipular a opinião pública visando interesse próprio ou de outrem. Estamos a nos referir a quem acredita que pode falar ou escrever o que bem entender sem sofrer as devidas consequências”, argumenta Kokay.

A avaliação do PL 2251/2024 por parte da CCJ seria a primeira fase de análise do texto, que agora só deve ocorrer em 2025, já que o ano legislativo de 2024 se encerra nesta semana. Em fevereiro, as comissões legislativas devem ter nova composição indicada pelos líderes das bancadas partidárias. Caso Nikolas Ferreira não volte a fazer parte do colegiado, a tendência é que outro parlamentar seja nomeado para relatar o projeto.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Final da página
WhatsApp

Frente LIVRE

Normalmente responde dentro de uma hora
Frente LIVRE

Olá 👋

Fale com o ciberporto da esquerda popular ✊💡

20:57