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Criminosos ou mártires? O manual bolsonarista para fugir da Justiça

Quando o cerco aperta, bolsonaristas se dizem perseguidos, fogem do país e viram heróis da extrema direita

O padrão de conduta entre figuras centrais do bolsonarismo diante da Justiça brasileira segue um roteiro que se repete com espantosa fidelidade: o crime é cometido com alarde, a Justiça reage dentro da legalidade, a condenação chega, e o réu imediatamente adota a narrativa da perseguição política — muitas vezes, fugindo do país. Um ciclo viciado que mina a credibilidade das instituições e transforma criminosos em mártires fabricados.

  1. O crime é cometido com a certeza da impunidade – Bolsonaristas de alto escalão se envolveram em atos como incitação ao golpe, ataques ao Supremo Tribunal Federal, disseminação sistemática de desinformação, fraudes contra aposentados, além de alianças com milicianos digitais. Tudo isso em nome de uma suposta luta pela “liberdade” ou pelo “Brasil acima de tudo”. São crimes claros à luz das leis brasileiras — mas sempre embalados em retórica nacionalista ou religiosa.

  2. A Justiça age com base na legalidade e no devido processo – Inquéritos são abertos, provas são reunidas, direitos de defesa são respeitados. Condenações, quando ocorrem, costumam ser colegiadas e baseadas em evidências sólidas. No entanto, assim que a sentença chega, a retórica muda.

  3. Começa a narrativa da vitimização política – O Judiciário, antes respeitado quando julgava adversários, passa a ser tachado de tirano. A condenação vira perseguição. O réu se apresenta como defensor da liberdade de expressão, vítima do “sistema”, ou alvo de um complô comunista. Foi assim com Carla Zambelli, ao deixar o país mesmo condenada, e também com Eduardo Bolsonaro, que pediu afastamento do cargo alegando “problemas de saúde”, mas que passou meses fora do Brasil após os atos golpistas de 8 de janeiro. O mesmo padrão: o crime vem antes, a fuga vem depois.

  4. A fuga do país como estratégia de blindagem política – Em vez de encarar a Justiça, opta-se pelo exílio voluntário. Carla Zambelli, após ser condenada por fraude contra o CNJ, já se encontrava fora do país e desafiou abertamente o STF ao dizer que, por ter cidadania italiana, a Interpol “não pode tirá-la de lá”. Allan dos Santos adotou o mesmo discurso, buscando refúgio nos EUA. Eduardo Bolsonaro, embora não condenado, se afastou estrategicamente da cena política após os ataques às instituições, voltando apenas quando o clima esfriou.

  5. A vitimização retroalimenta a militância – Esses “exílios” são usados como combustível político. O bolsonarismo transforma foragidos e investigados em símbolos de resistência. O criminoso vira herói; o Judiciário, vilão. As redes sociais amplificam essa distorção, com vídeos emocionais, campanhas de arrecadação e discursos inflamados. Trata-se de um modelo eficaz para manter a base mobilizada — mesmo diante de evidências inegáveis de corrupção, ilegalidade e conluio.

Esse padrão — crime, condenação, fuga e vitimização — revela uma estratégia consciente de desmoralização das instituições democráticas. Não se trata apenas de escapar da Justiça. Trata-se de minar a confiança pública na própria ideia de responsabilização. É a tática do colapso planejado, em que a ilegalidade se reveste de heroísmo e a Justiça é pintada como inimiga da liberdade.

Combater esse ciclo exige não apenas firmeza institucional, mas também desmontar a farsa narrativa que transforma golpistas em vítimas e foragidos em ícones da liberdade. Afinal, não há liberdade onde não há responsabilidade.

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