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VIDA

Da cacimba ao maracujá: a água do São Francisco transforma vidas no sertão de Pernambuco

Com a transposição, famílias de Cabrobó trocam o sofrimento da seca por dignidade, produção e permanência no campo

Quando Raimunda Maria enche um balde de água hoje, o gesto tem outro significado. Moradora da zona rural de Cabrobó, no sertão pernambucano, ela lembra de um tempo em que carregar água era um desafio diário — e doloroso. “Era um sacrifício. A gente vivia de cacimba, procurando onde tivesse água. Às vezes longe, às vezes pouca, e sempre difícil”, conta. Agora, com o avanço das obras do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), a vida de Raimunda e de sua comunidade mudou.

“A água chegou e tudo mudou. Hoje a gente planta o que antes nem imaginava. Até maracujá, que dura quase um ano no pé. Isso só foi possível por causa da irrigação”, diz, com o rosto iluminado por um misto de alívio e orgulho.

Da escassez à autonomia

O relato de Raimunda é o retrato do que já é realidade para milhares de famílias do semiárido nordestino: a chegada da água não é só uma obra de engenharia, mas um marco de cidadania. Para Maria Auxiliadora, dona de casa de 49 anos, o impacto também foi profundo. “Antes, o dia começava com a preocupação de ter água para cuidar dos dois idosos que vivem comigo. Era uma luta”, lembra. Com o PISF, a rotina mudou. “Agora temos estabilidade. E isso muda tudo. É qualidade de vida, é dignidade.”

O motor da mudança

Cabrobó abriga um dos pontos mais simbólicos dessa virada: a Estação de Bombeamento EBI-1, marco inicial do Eixo Norte do PISF. De lá, a água do “Velho Chico” percorre mais de 260 km, beneficiando 237 municípios em Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte — mais de 8 milhões de pessoas.

Com capacidade para bombear 24,8 m³ de água por segundo, a estação começou a funcionar em 2015, no segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff. Ali, o engenheiro Arthur Braga trabalha com a emoção de quem tem uma missão pessoal. “Meu pai morreu sem ver essa estação funcionar. Mas eu prometi a ele que entregaria essa obra. E estou aqui representando a geração dele. Esse projeto é a diferença entre a vida e a morte.”

Obra, justiça e permanência

Durante visita à região, o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, classificou o momento como histórico. Ao lado da vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause, ele anunciou a duplicação da capacidade de bombeamento do Eixo Norte — de 25 para 50 m³/s — e reforçou o compromisso do presidente Lula com a segurança hídrica do Nordeste.

Ministro Waldez Góes anunciou a duplicação da capacidade de bombeamento do Eixo Norte do PISF

“Água é vida. É cidadania. É o direito de permanecer onde se nasceu. E é isso que estamos garantindo com o Novo PAC”, declarou Góes. O ministro destacou que, mesmo com resistências técnicas e políticas em governos anteriores, Lula enfrentou os desafios para fazer a água chegar onde sempre faltou. “Existe um Brasil antes da transposição, e um outro Brasil depois dela.”

Priscila Krause também ressaltou a importância da parceria entre Governo Federal e Governo Estadual para levar abastecimento regular a comunidades que antes enfrentavam até quatro meses de seca. Cidades beneficiadas pela Adutora do Agreste e pelo projeto Águas de Pernambuco já vivem essa nova realidade — e outras ainda serão alcançadas, com obras complementares como o canal de Entremontes.

Box comparativo: Antes e depois da transposição

Situação Antes da transposição Depois da transposição
Acesso à água Cacimbas, poços salinos, caminhadas longas Água encanada, irrigação, regularidade
Segurança alimentar Insegurança total, perdas frequentes Diversificação da produção, estabilidade
Condição de vida Sofrimento, migração, incerteza Permanência no campo, dignidade, renda
Capacidade produtiva Limitada à época de chuvas Produção o ano inteiro, até de frutas tropicais
Atendimento público Intermitente e precário Presença de programas e novas obras federais


Por que importa?

A transposição do Rio São Francisco não é apenas um projeto técnico. É uma política de reparação histórica com o povo do semiárido. Uma resposta concreta às promessas esquecidas, que agora se transformam em água, comida, renda e permanência no território. E como lembra Maria Auxiliadora, “sem água, a gente não vive. Mas agora a vida chegou”.

Fonte: MIDR

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