O Brasil não avançou no combate ao analfabetismo funcional desde 2018, mantendo 29% da população adulta incapaz de interpretar textos simples, segundo dados do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) 2024. Para especialistas, o resultado reflete o desmonte das políticas educacionais durante os governos Temer e Bolsonaro.
Andressa Pellanda, coordenadora da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, afirma que a suspensão do Brasil Alfabetizado em 2016 e os cortes orçamentários criaram um vácuo que só começou a ser reparado em 2023. “Foram sete anos perdidos, com fechamento de turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e redução no acesso à educação básica”, explica.
1. O QUE DIZEM OS ESPECIALISTAS?
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Andressa Pellanda (Campanha Nacional pelo Direito à Educação):
- “O fim do Brasil Alfabetizado em 2016 interrompeu um programa que reduziu o analfabetismo de 12% para 4% entre 2003 e 2015.”
- “Sem políticas consistentes, os municípios fecharam turmas da EJA, deixando jovens e adultos sem acesso à educação.”
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Daniel Cara (Professor da USP e ex-candidato ao MEC):
- “O governo Bolsonaro cortou R$ 40 bilhões da educação básica, afetando diretamente a alfabetização de adultos.”
- “A falta de investimento em formação de professores agravou o problema.”
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Luiz Carlos de Freitas (Educador e pesquisador da Unicamp):
- “O analfabetismo funcional é herança da austeridade fiscal que priorizou o ajuste econômico em detrimento da educação.”
- “O atual governo retomou políticas, mas é preciso mais tempo para reverter o estrago.”
2. O QUE FALTA PARA MELHORAR?
>> Regulamentação do Custo Aluno-Qualidade (CAQ) – para garantir padrões mínimos de ensino
>> Ampliação do EJA – com investimento em turmas noturnas e flexíveis
>> Formação continuada de professores – especialmente em regiões com altos índices de analfabetismo
[O QUE É ANALFABETISMO FUNCIONAL?]
- Nível Rudimentar (14% da população): Lê palavras isoladas, mas não compreende textos curtos.
- Nível Elementar (36%): Entende frases simples, mas não interpreta informações complexas.
- Nível Proficiente (10%): Domina leitura, escrita e interpretação de textos.
OS MINISTROS DA EDUCAÇÃO NO GOVERNO BOLSONARO E SUAS POLÊMICAS
| Ministro | Período | Principais Polêmicas |
|---|---|---|
| Ricardo Vélez Rodríguez | Jan-Abr/2019 | – Proposta de “doutrinação conservadora” nas escolas – Criticado por falas sobre “escola sem partido” – Demitido após 3 meses |
| Abraham Weintraub | Abr/2019-Jun/2020 | – Chamou estudantes de “idiotas úteis” – Cortes de 30% no orçamento de universidades – Acusado de perseguição a reitores |
| Carlos Decotelli | Jun-Jul/2020 | – Demitido em 5 dias após mentir no currículo – Fraudes em titulação acadêmica reveladas pela imprensa |
| Milton Ribeiro | Jul/2020-Mar/2022 | – Envolvido em esquema de tráfico de influência – Frase “crianças com deficiência atrapalham” – Demitido após escândalo dos “pastores do MEC” |
| Victor Godoy | Mar/2022-Dez/2022 | – Corte de bolsas da Capes – Desmonte de programas de alfabetização – Baixa execução orçamentária |
Impacto:
- Queda de 28% nas matrículas da EJA (2019-2022)
- Redução de 40% nos recursos para alfabetização de adultos
- Aumento do analfabetismo funcional em jovens (14% ? 16%)
Fonte: Intercept Brasil






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