Dólar
R$ 4.96 Desceu
Euro
5.804 Desceu
Brasília
26°C 26°C 17°C

Explore Mais

Colunas exclusivas e conteúdos especiais

BRASIL

Dinheiro da campanha de Tarcísio misturado com esquema do PCC

Governador de São Paulo força anistia a Bolsonaro para receber espólio eleitoral, mas ainda não esclareceu suspeitas sobre sua campanha

Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, largou o Palácio dos Bandeirantes durante a semana e baixou em Brasília para uma agenda frenética de encontros. Sempre de braços dados com o presidente de seu partido, o bispo Marcos Pereira, que é deputado federal e autoridade da Igreja Universal do Reino de Deus, encontrou várias lideranças políticas. Só havia um assunto na mesa: aprovar no Congresso um projeto de anistia a Jair Bolsonaro pelo crime de golpe de Estado.

A articulação é politicamente lógica para a extrema direita brasileira, mas também preocupante para a maioria da população, que não a apoia.  Porque ao fazê-la, Tarcísio busca a benção de Bolsonaro para nomeá-lo herdeiro de sua liderança na eleição presidencial do ano que vem. Aí que a porca torce o rabo. Pois.. 

Uma complexa teia de movimentações financeiras e doações eleitorais, com elos que se estendem até o PCC, emergiu como um dos maiores desafios à integridade política de São Paulo, estado que governa desde 2023 e de onde cultiva relações cada vez mais próximas com banqueiros, fazendeiros, financistas, industriais e grandes empresários.

As informações, que vieram à tona a partir de investigações da Polícia Federal, apontam para a pecuarista Maribel Golin como figura central, conectando vultosos recursos transferidos às suas empresas a um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e, em seguida, a doações significativas à campanha de Tarcísio ao governo paulista, em 2022. Ela é a sexta maior doadora do agora frenético defensor e pretendente a herdeiro de Bolsonaro. 

Antes de se questionar a origem dos fundos que irrigaram a eleição do chefe do Executivo paulista e a eventual influência de interesses escusos no círculo de poder, há que se perguntar: como isso aconteceu? 

Se deu através de uma série de manobras empresariais, incluindo a drástica elevação do capital social de uma das companhias de Maribel Golin em plena corrida eleitoral e a criação estratégica de novas empresas que, segundo a PF, seriam peças-chave em um esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado. 

A cronologia dos fatos revela a escalada das movimentações financeiras. Em 17 de abril de 2018, Maribel Golin assume a sociedade da JBT Serviços, Organização e Gestão Financeira Ltda, que, em 19 de julho de 2019, altera seu nome para JBT Empreendimentos e Participações Ltda. Este foi o prelúdio para um salto patrimonial impressionante.

Explosão de capital e doações estratégicas à campanha

O primeiro sinal de uma movimentação financeira atípica e de grandes proporções surge em 4 de agosto de 2022. A JBT viu seu capital social expandir-se de modestos R$ 72,4 mil para impressionantes R$ 27,4 milhões. Um aumento de 37.833,48% em questão de dias, um movimento que levanta imediatamente suspeitas sobre a origem e a legitimidade de tanto recurso em um período tão sensível como o eleitoral.

Poucas semanas após essa injeção colossal de capital, em 26 de agosto de 2022, Maribel Golin realizou a primeira doação à campanha de Tarcísio de Freitas, no valor de R$ 100 mil. A proximidade entre o aumento patrimonial e a contribuição eleitoral levanta questões cruciais sobre a transparência do financiamento de campanha, um ponto vital para a saúde de qualquer processo democrático.

No mês seguinte, em 26 de setembro de 2022, Golin fundou a Agro Globo Cereais em Itapetininga (SP). O endereço escolhido não é trivial: as antigas Fazendas Reunidas Boi Gordo, um local historicamente ligado a grandes movimentações financeiras no setor agropecuário e, em certos momentos, a controvérsias financeiras de grande escala. 

Após o primeiro turno das eleições, em 2 de outubro de 2022, Maribel efetuou uma segunda e ainda mais substancial doação para a campanha de Tarcísio: R$ 400 mil, em 6 de outubro. A doação estratégica, após o primeiro turno, é um ponto que aprofunda as inquietações. Tarcísio de Freitas seria eleito governador de São Paulo em 30 de outubro de 2022.

A rede de empresas e a conexão proibida

A trama se adensa com a proliferação de novas empresas e a intrincada rede de sociedades. Em 6 de outubro de 2021, é fundada a Stall Energy, uma empresa voltada à recuperação energética de resíduos urbanos. Um ano e um mês após as eleições, em 24 de novembro de 2022, Maribel cria a Green Investimentos e Participações, na qual figura como única sócia. Menos de dois meses depois, em 23 de janeiro de 2023, Maribel e a Green Investimentos consolidam sua relação, tornando-se sócias da Stall Energy, fechando um ciclo de interconexão empresarial.

Um evento notável ocorreria em 27 de agosto de 2024: o Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Jorge Lima, realiza uma visita à fábrica da Stall Energy, em Boituva, sendo recebido por Joselito Golin, marido de Maribel. 

A revelação mais explosiva ocorreria em 10 de dezembro de 2024, com a deflagração da Operação Mafiusi pela Polícia Federal. Esta operação tem como objetivo rastrear a lavagem de dinheiro do PCC, uma batalha incansável das forças de segurança para desmantelar o crime organizado e garantir a justiça. 

O elo mais perigoso de Maribel Golin viria à tona em 13 de março de 2025, quando um relatório da PF identificaria a espantosa cifra de R$ 1,4 bilhão negociados entre duas empresas dela de participações e empreendimentos imobiliários, ambas sem funcionários registrados, para empresas ligadas ao empresário Willian Barile Agati, chamado de “concierge do PCC”.

Essas transações suspeitas atribuídas a Maribel e suas empresas, entre os anos de 2020 e 2022, em pleno governo Bolsonaro, abrangem não apenas a explosão de capital da JBT, mas também as doações diretas à campanha de Tarcísio.

A ligação potencial entre doações de campanha a uma figura política proeminente e um esquema bilionário de lavagem de dinheiro do PCC é um alerta para todos os setores da sociedade. Este cenário coloca em xeque a origem dos recursos que alimentaram a eleição do governador de São Paulo e levanta questionamentos profundos sobre a influência do crime organizado nos mais altos escalões do poder. 

É fundamental que as instituições republicanas, em especial o Ministério Público e a Polícia Federal, atuem com independência e transparência para desvendar todos os detalhes desta complexa teia, garantindo a responsabilização dos envolvidos e reafirmando o compromisso com uma política ética e livre de influências criminosas.


[MEMÓRIA: DESDOBRAMENTOS DA OPERAÇÃO MAFIUSI]

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia contra catorze indivíduos envolvidos em uma complexa rede de tráfico internacional de drogas, revelado pela “Operação Mafiusi” da Polícia Federal. São acusados de organização criminosa e associação para o tráfico, com elos diretos e preocupantes com a poderosa máfia italiana ‘Ndrangheta. Foi a primeira denúncia formal após a deflagração da operação em dezembro.

A investigação aponta que o esquema funcionou por cinco anos, desde 2019, utilizando principalmente o Porto de Paranaguá, no Paraná, como principal ponto de exportação de toneladas de cocaína para a Europa. A rede operava com hierarquia e divisão de tarefas bem definidas, utilizando tecnologias de comunicação criptografada, como o SKYECC, para garantir o sigilo de suas transações bilionárias. Além do tráfico, o MPF detalha que a lavagem de dinheiro era feita através da compra de imóveis em nome de terceiros e até mesmo do agenciamento de jogadores de futebol, evidenciando a infiltração do crime em setores da economia formal.

No centro da teia criminosa, a denúncia aponta o empresário Willian Barile Agati, alcunhado de “concierge do PCC”, como o principal articulador. Agati seria o responsável por coordenar as remessas de drogas e gerenciar a lavagem de ativos. Ele foi preso em janeiro e já é investigado por tentativas de envio de grandes carregamentos de cocaína para a Europa, como os 554 kg que tentou despachar para o Porto de Valência, na Espanha, em 2020. A denúncia ressalta seu papel crucial na conexão entre a ‘Ndrangheta e os fornecedores de logística em Paranaguá, com atuação em parceria com importantes figuras do PCC.

Ilustração: Reprodução Facebook – De olho nos ruralistas

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Final da página
WhatsApp

Frente LIVRE

Normalmente responde dentro de uma hora
Frente LIVRE

Olá 👋

Fale com o ciberporto da esquerda popular ✊💡

20:57