Um documento revelado pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, prova que o governador bolsonarista do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), mentiu para tentar se safar do Caso Master. Ao contrário do que alegou publicamente, ele se envolveu pessoalmente em um negócio milionário em dezembro de 2019, quando já ocupava o cargo. A transação ocorreu em pleno governo de Jair Bolsonaro, exatamente na época em que o Banco Master iniciou sua escalada de fraudes bilionárias no mercado financeiro.
Na semana passada, quando veio à tona a revelação de que seu escritório de advocacia recebera R$ 38 milhões do Master, o governador bolsonarista havia afirmado que estava completamente afastado dos negócios desde 2018, ano em que foi eleito.
No entanto, o novo contrato traz a assinatura de Ibaneis, com firma do já empossado governador reconhecida em cartório em 2019. No documento, ele atua como fiador solidário (avalista) na venda de R$ 4,4 milhões em honorários de precatórios — dívidas que o governo é obrigado pela Justiça a pagar.
Entenda a teia financeira
Para compreender a gravidade da transação, é preciso traduzir o caminho do dinheiro. O escritório da família Ibaneis vendeu o direito de receber esses precatórios no futuro para obter dinheiro vivo e imediato. O comprador desses papéis foi um fundo de investimentos chamado BLP PCJ VII. É neste ponto que a ligação direta com o escândalo se materializa.
Esse fundo era administrado pela corretora Planner, comandada na época por Maurício Quadrado — homem que, meses depois, viraria sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Mais revelador ainda é a identidade de quem assinou o contrato comprando os papéis de Ibaneis: Artur Martins de Figueiredo.
Artur é o diretor da Banvox, uma empresa de participações obscura que está na mira da Polícia Federal (PF). Foi a Banvox a responsável por injetar bilhões de reais no Banco Master, comprando 22% da instituição. Segundo as investigações, esse dinheiro pertenceria ao empresário Nelson Tanure, suspeito de ser o sócio oculto do banco.
Em resumo: Ibaneis fez negócios diretos com a mesma engrenagem que capitalizou o Master. Foi justamente a partir de 2019 que o banco (antes chamado Máxima) foi reestruturado por Vorcaro e começou a espalhar seu esquema de venda de carteiras fraudulentas para instituições públicas.
Uma dessas instituições lesadas foi o Banco de Brasília (BRB), em uma operação que contou com o apoio entusiasmado de Ibaneis Rocha. Somando este aos outros dois contratos já descobertos, o escritório do governador movimentou R$ 52,9 milhões com o ecossistema criminoso.






Deixe seu comentário