A tentativa de Donald Trump de chantagear a Europa para anexar a Groenlândia provocou uma reação em duas frentes, unindo o povo e os governos do continente contra o que está sendo visto como uma inaceitável agressão imperialista. Enquanto milhares de cidadãos tomavam as ruas de Copenhague e Nuuk, a União Europeia convocou uma reunião de emergência para este domingo (18), sinalizando que a resposta à ameaça de tarifas será coordenada e dura.
O povo grita: “Groenlândia não está à venda!”
Em Copenhague, capital da Dinamarca, e em Nuuk, capital da Groenlândia, milhares de manifestantes saíram às ruas neste sábado com uma mensagem clara. Empunhando bandeiras e cartazes com frases como “Os Estados Unidos já têm gelo suficiente” e “Make America Go Away” (Faça os Estados Unidos Irem Embora), o povo expressou sua indignação contra a pretensão de Trump de comprar ou tomar o território.
“Quando as tensões aumentam e as pessoas estão em alerta, corremos o risco de gerar mais problemas do que soluções”, afirmou a presidente do movimento Uagut, um dos organizadores do protesto, à agência AFP. A rejeição popular ao plano de Trump já havia sido registrada em uma pesquisa de janeiro de 2025, que mostrou que 85% dos groenlandeses são contra a anexação.
A diplomacia age: “Ameaças são inaceitáveis”
Em paralelo à fúria das ruas, a resposta institucional foi rápida. Chipre, que ocupa a presidência rotativa da UE, convocou uma reunião de emergência dos embaixadores do bloco para as 17h deste domingo. O objetivo é formular uma resposta conjunta às tarifas de 10% anunciadas por Trump contra oito países europeus que participam de exercícios militares para proteger a ilha.
Líderes europeus já se manifestaram individualmente. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que a UE será “muito firme na defesa do direito internacional”. O presidente da França, Emmanuel Macron, foi ainda mais duro: “As ameaças de tarifas são inaceitáveis e não têm lugar neste contexto. Os europeus responderão a elas de forma unida e coordenada caso se confirmem”, escreveu em uma rede social.
A dupla reação, nas ruas e nos palácios, mostra que a aposta de Trump em dividir e intimidar a Europa para alcançar seus objetivos na Groenlândia pode ter gerado o efeito contrário: uma onda de união e resistência contra suas ambições.






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