Tarifaço falha e exportações brasileiras crescem 11,5%

Com 300 mercados abertos, Lula 3 vence o cerco de Trump encomendado pelos Bolsonaros

Por Redação
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Modelo C-390 Millennium, da Embraer, uma das aeronaves que elevaram as exportações do Brasil neste ano. Foto: Embraer

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou, nesta segunda-feira (28), a balança comercial da quarta semana de setembro — e o retrato é um tapa na cara da cartilha trumpista que a turma bolsonarista aplaudiu de joelhos. No acumulado de janeiro até a terceira semana de setembro, as exportações brasileiras cresceram 11,5% e somaram US$ 281,34 bilhões. O superávit saltou 36,3%, para US$ 61,77 bilhões, e a corrente de comércio atingiu US$ 500,92 bilhões, alta de 9%. Traduzindo para quem ainda acredita em narrativa: o tarifaço de Donald Trump, comemorado publicamente pelos Bolsonaros, não produziu o efeito que eles esperavam sobre o Brasil. O país segue vendendo ao mundo.

O tarifaço que eles aplaudiram

Vale lembrar a cena. Em julho de 2025, Trump assinou tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e tratou o Brasil como “ameaça incomum e extraordinária”. Enquanto o governo brasileiro buscava saída pela via diplomática, Eduardo Bolsonaro corria para a Truth Social agradecer o americano. A imprensa britânica chegou a falar na “sombra de Eduardo Bolsonaro” sobre o tarifaço — o aliado de Trump funcionando como sabotador da relação bilateral em nome da pauta ideológica. Flávio Bolsonaro foi pessoalmente a Washington tratar do tema com Trump.

A Suprema Corte americana derrubou parte da tarifa em fevereiro. Trump retaliou em julho deste ano com nova rodada — 25% sobre milhares de produtos e 12,5% para 60 países, com impacto potencial estimado em US$ 8,4 bilhões nas exportações ao mercado americano. Deu para assustar. Não deu para segurar o Brasil.

A resposta de Lula 3: abrir o mundo

O contraste é o método. Enquanto a direita rezava pela cartilha do protecionismo trumpista e pelo isolamento do país, o governo Lula fez o caminho inverso: diversificou destinos, abriu mercados e aproximou o Brasil da Ásia e do resto do mundo. A meta de 300 mercados abertos até o fim do mandato já estava quase batida na metade dele — um acúmulo de acordos que reduziu a dependência do mercado americano.

O resultado aparece nos números. A indústria de transformação liderou as exportações, com US$ 15,6 bilhões, à frente de agricultura e indústria extrativa. E o destaque simbólico veio dos céus: aviões e equipamentos aeronáuticos somaram US$ 455,8 milhões em exportações, puxados pelo C-390 Millennium, da Embraer. O Brasil vendendo avião para o mundo enquanto os bolsonaros agradeciam a quem tentava atacar a nossa indústria.

O tiro no pé do clã

A ironia final é que até o próprio clã reconheceu o vexame. Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, foi obrigado a admitir que Eduardo “errou ao agradecer” as tarifas contra empresas brasileiras. Errou, sim — mas a matéria da história é que o erro não custou caro ao Brasil. Custou caro à tese deles.

O tarifaço veio, o mundo fechou as portas para a retórica trumpista e o Brasil abriu as suas. As exportações cresceram, o superávit explodiu e a indústria brasileira continua vendendo, inclusive aviões. A direita pode continuar agradecendo a Trump. A balança comercial, essa, não tem paciência para bajulação — tem pressa de exportar.

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