O Brasil terá segundo turno para a Presidência da República. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) foram os mais votados no primeiro turno, realizado neste domingo (4), segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Às 22h32, com 99,91% das urnas apuradas, Flávio tinha 56.082.362 votos (47,05% dos votos válidos), contra 53.804.546 votos (45,14%) para Lula. A nova votação está marcada para 25 de outubro.
Empate técnico na Presidência
O resultado presidencial é um empate técnico que escancara a força do bolsonarismo. Mas o dado mais assustador da noite não está na disputa pelo Planalto. Está no Senado. Foram renovadas 54 das 81 cadeiras da Casa, o equivalente a dois terços. E a extrema direita saiu das urnas fortalecida como nunca.
Após a confirmação do segundo turno, o presidente Lula reuniu os candidatos majoritários na eleição de São Paulo e concedeu uma entrevista coletiva, na sede nacional do PT.
“O jogo vai começar”, afirmou Lula. “Estamos na prorrogação.”
O presidente também disse que pretende comparar sua trajetória com a de Flávio Bolsonaro. Ao se referir ao adversário, Lula afirmou que ele tem uma “biografia tenebrosa” e comentou as denúncias que vieram à tona nas últimas semanas.
“É uma biografia tenebrosa, com ligações tenebrosas, com suspeitas gravíssimas, com relação com os milicianos, com relação com o crime organizado, com relação com os assassinatos do Rio de Janeiro. Também com a participação da criação do Banco Master, que resultou não apenas na maior corrupção desse país, mas também na maior orgia envolvendo políticos e autoridades desse país. Tudo isso vai ficar claro”, disse Lula.
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O Senado vira fortaleza bolsonarista
O Partido Liberal (PL) elegeu 19 dos 54 novos senadores. É a maior bancada da Casa, quase o dobro de todo o campo progressista eleito, que soma cerca de dez nomes entre PT, PSB e Rede. No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis. Em Santa Catarina, Carlos Bolsonaro e Carol de Toni. Em São Paulo, André do Prado e Guilherme Derrite. No Rio de Janeiro, Carlos Portinho e Carlos Jordy. Os 54 eleitos se juntam aos 27 senadores com mandato até 2031, consolidando a nova correlação de forças. A família Bolsonaro transformou o Senado em fortaleza.
A ameaça à escala 6×1
O Brasil está sob séria ameaça de ser dominado pelo fascismo. A nova composição, que passa a valer a partir de 2027, entrega à direita uma Casa hostil a qualquer avanço social. O projeto do fim da escala 6×1, prometido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para a próxima semana, pode naufragar. Candidato à reeleição ao comando da Casa, ele pode recuar do acordo com o governo para agradar a oposição a Lula, que será majoritária na eleição da nova mesa.
Nem tudo está perdido
Nem tudo está perdido. Lula ainda luta. O segundo turno de 25 de outubro é a chance de impedir que o fascismo ocupe também o Planalto. A mobilização que levou 150 mil pessoas à Avenida Paulista precisa se repetir nas urnas.
A eleição mostrou a força da máquina de desinformação da direita, que espalhou fake news no WhatsApp e elegeu bancada. Mas mostrou também que o povo, quando convocado, ocupa a rua. A luta não acabou. O voto de 25 de outubro decide se o Brasil cai de vez nas mãos do fascismo ou se a democracia resiste.
Veja a íntegra do pronunciamento de Lula após a divulgação do resultado do 1º turno
Veja a lista de todos os senadores eleitos.
Norte
• Acre (AC): Márcio Bittar (PL), Mara Rocha (Republicanos)
• Amapá (AP): Rayssa Furlan (Pode/MDB), Lucas Barreto (PSD)
• Amazonas (AM): Eduardo Braga (MDB), Plínio Valério (PSDB)
• Pará (PA): Helder (MDB), Alexandre Guimarães (MDB)
• Rondônia (RO): Dr. Fernando Máximo (PL), Bruno Scheid (PL)
• Roraima (RR): Nicoletti (PL), Teresa Surita (MDB)
• Tocantins (TO): Eduardo Gomes (PL), Alexandre Guimarães (MDB)
Nordeste
• Alagoas (AL): Arthur Lira (PP), Marina JHC (PSDB)
• Bahia (BA): Rui Costa (PT), Jaques Wagner (PT)
• Ceará (CE): Cid Gomes (PSB), Luizianne Lins (REDE)
• Maranhão (MA): André Fufuca (PP), Lahesio Bonfim (Novo)
• Paraíba (PB): João Azevêdo (PSB), Veneziano (MDB)
• Pernambuco (PE): Humberto Costa (PT), Marília Arraes
• Rio Grande do Norte (RN): Styvenson Valentim (Pode), Samanda de Lula (PT)
• Piauí (PI): Marcelo Castro (MDB) e Júlio César O Julim do Lula (PSD)
• Sergipe (SE): Rogério Carvalho (PT), Delegado Alessandro Vieira (MDB)
Centro-Oeste
• Distrito Federal (DF): Michelle Bolsonaro (PL), Bia Kicis (PL)
• Goiás (GO): Gustavo Gayer (PL), Gracinha Caiado (União)
• Mato Grosso (MT): Mauro Mendes (União), Zé Medeiros (PL)
• Mato Grosso do Sul (MS): Reinaldo Azambuja (PL), Capitão Contar (PL) Sudeste
• Espírito Santo (ES): Renato Casagrande (PSB), Evair de Melo (Republicanos)
• Minas Gerais (MG): Domingos Sálvio (PL), Marília Campos (PT)
• Rio de Janeiro (RJ): Carlos Portinho (PL), Carlos Jordy (PL)
• São Paulo (SP): Guilherme Derrite (PP), André do Prado (PL)
Sul
• Paraná (PR): Filipe Barros (PL), Deltan Dallagnol (Novo, sub judice)
• Rio Grande do Sul (RS): Sanderson (PL), Marcel Van Hattem (Novo)
• Santa Catarina (SC): Carol de Toni (PL), Carlos Bolsonaro (PL)
