Lula e Flávio vão ao 2º turno; fascistas dominam o Senado

Enquanto a direita celebra, Lula avisa que a luta pelo Brasil ainda não acabou

Por Frente Livre
segundo turno
Presidente Lula discursa depois da confirmação do 2º turno: "Nós vamos derrotar a extrema direita". Foto: Reprodução Youtube

O Brasil terá segundo turno para a Presidência da República. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) foram os mais votados no primeiro turno, realizado neste domingo (4), segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Às 22h32, com 99,91% das urnas apuradas, Flávio tinha 56.082.362 votos (47,05% dos votos válidos), contra 53.804.546 votos (45,14%) para Lula. A nova votação está marcada para 25 de outubro.

Empate técnico na Presidência

O resultado presidencial é um empate técnico que escancara a força do bolsonarismo. Mas o dado mais assustador da noite não está na disputa pelo Planalto. Está no Senado. Foram renovadas 54 das 81 cadeiras da Casa, o equivalente a dois terços. E a extrema direita saiu das urnas fortalecida como nunca.

Após a confirmação do segundo turno, o presidente Lula reuniu os candidatos majoritários na eleição de São Paulo e concedeu uma entrevista coletiva, na sede nacional do PT.

“O jogo vai começar”, afirmou Lula. “Estamos na prorrogação.”

O presidente também disse que pretende comparar sua trajetória com a de Flávio Bolsonaro. Ao se referir ao adversário, Lula afirmou que ele tem uma “biografia tenebrosa” e comentou as denúncias que vieram à tona nas últimas semanas.

“É uma biografia tenebrosa, com ligações tenebrosas, com suspeitas gravíssimas, com relação com os milicianos, com relação com o crime organizado, com relação com os assassinatos do Rio de Janeiro. Também com a participação da criação do Banco Master, que resultou não apenas na maior corrupção desse país, mas também na maior orgia envolvendo políticos e autoridades desse país. Tudo isso vai ficar claro”, disse Lula.

 

>> Plataforma interativa da FRENTE LIVRE com o resultado das eleições em todo o Brasil

 

O Senado vira fortaleza bolsonarista

O Partido Liberal (PL) elegeu 19 dos 54 novos senadores. É a maior bancada da Casa, quase o dobro de todo o campo progressista eleito, que soma cerca de dez nomes entre PT, PSB e Rede. No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis. Em Santa Catarina, Carlos Bolsonaro e Carol de Toni. Em São Paulo, André do Prado e Guilherme Derrite. No Rio de Janeiro, Carlos Portinho e Carlos Jordy. Os 54 eleitos se juntam aos 27 senadores com mandato até 2031, consolidando a nova correlação de forças. A família Bolsonaro transformou o Senado em fortaleza.

A ameaça à escala 6×1

O Brasil está sob séria ameaça de ser dominado pelo fascismo. A nova composição, que passa a valer a partir de 2027, entrega à direita uma Casa hostil a qualquer avanço social. O projeto do fim da escala 6×1, prometido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para a próxima semana, pode naufragar. Candidato à reeleição ao comando da Casa, ele pode recuar do acordo com o governo para agradar a oposição a Lula, que será majoritária na eleição da nova mesa.

Nem tudo está perdido

Nem tudo está perdido. Lula ainda luta. O segundo turno de 25 de outubro é a chance de impedir que o fascismo ocupe também o Planalto. A mobilização que levou 150 mil pessoas à Avenida Paulista precisa se repetir nas urnas.

A eleição mostrou a força da máquina de desinformação da direita, que espalhou fake news no WhatsApp e elegeu bancada. Mas mostrou também que o povo, quando convocado, ocupa a rua. A luta não acabou. O voto de 25 de outubro decide se o Brasil cai de vez nas mãos do fascismo ou se a democracia resiste.

 

Veja a íntegra do pronunciamento de Lula após a divulgação do resultado do 1º turno

Veja a lista de todos os senadores eleitos.

Norte

• Acre (AC): Márcio Bittar (PL), Mara Rocha (Republicanos)

• Amapá (AP): Rayssa Furlan (Pode/MDB), Lucas Barreto (PSD)

• Amazonas (AM): Eduardo Braga (MDB), Plínio Valério (PSDB)

• Pará (PA): Helder (MDB), Alexandre Guimarães (MDB)

• Rondônia (RO): Dr. Fernando Máximo (PL), Bruno Scheid (PL)

• Roraima (RR): Nicoletti (PL), Teresa Surita (MDB)

• Tocantins (TO): Eduardo Gomes (PL), Alexandre Guimarães (MDB)

Nordeste

• Alagoas (AL): Arthur Lira (PP), Marina JHC (PSDB)

• Bahia (BA): Rui Costa (PT), Jaques Wagner (PT)

• Ceará (CE): Cid Gomes (PSB), Luizianne Lins (REDE)

• Maranhão (MA): André Fufuca (PP), Lahesio Bonfim (Novo)

• Paraíba (PB): João Azevêdo (PSB), Veneziano (MDB)

• Pernambuco (PE): Humberto Costa (PT), Marília Arraes

• Rio Grande do Norte (RN): Styvenson Valentim (Pode), Samanda de Lula (PT)

• Piauí (PI): Marcelo Castro (MDB) e Júlio César O Julim do Lula (PSD)

• Sergipe (SE): Rogério Carvalho (PT), Delegado Alessandro Vieira (MDB)

Centro-Oeste

• Distrito Federal (DF): Michelle Bolsonaro (PL), Bia Kicis (PL)

• Goiás (GO): Gustavo Gayer (PL), Gracinha Caiado (União)

• Mato Grosso (MT): Mauro Mendes (União), Zé Medeiros (PL)

• Mato Grosso do Sul (MS): Reinaldo Azambuja (PL), Capitão Contar (PL) Sudeste

• Espírito Santo (ES): Renato Casagrande (PSB), Evair de Melo (Republicanos)

• Minas Gerais (MG): Domingos Sálvio (PL), Marília Campos (PT)

• Rio de Janeiro (RJ): Carlos Portinho (PL), Carlos Jordy (PL)

• São Paulo (SP): Guilherme Derrite (PP), André do Prado (PL)

Sul

• Paraná (PR): Filipe Barros (PL), Deltan Dallagnol (Novo, sub judice)

• Rio Grande do Sul (RS): Sanderson (PL), Marcel Van Hattem (Novo)

• Santa Catarina (SC): Carol de Toni (PL), Carlos Bolsonaro (PL)

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