A extrema-direita chilena, liderada por José Antonio Kast, conquistou a presidência do país neste domingo (14) ao obter 58,3% dos votos no segundo turno disputado contra a candidata socialista, Jeannette Jara, que ficou com 41,7%. O resultado não é apenas uma guinada histórica para o Chile, mas um alerta para o Brasil: a fórmula usada por Kast, que explora o medo da criminalidade e da imigração, é o exato manual que a extrema-direita brasileira pretende usar para a eleição de 2026.
A campanha de Kast foi um laboratório bem-sucedido. Em um país que, apesar de ainda ser um dos mais seguros da América Latina, viu a criminalidade e a violencia urbana aumentarem, ele focou sua artilharia em uma única mensagem: a ordem contra o caos. Suas propostas, como construir muros na fronteira, enviar militares para combater o crime e deportar imigrantes em situação irregular, ecoaram em uma população assustada.
“Cresci num Chile pacífico, onde você podia sair à rua sem se preocupar”, disse um jovem eleitor de Kast à imprensa, resumindo o sentimento que o levou à vitória. “Agora você não pode sair em paz.” É essa percepção de perda, a nostalgia de uma segurança que pode nunca ter existido como na memória, que se torna o combustível para o discurso radical.
O manual da extrema-direita e a conexão com o Brasil
A vitória de Kast não é um ponto fora da curva. Ele se junta a um grupo crescente de líderes da direita radical na América Latina, como Javier Milei na Argentina e Nayib Bukele em El Salvador, que chegaram ao poder com plataformas semelhantes. O roteiro é o mesmo:
- Identificar um inimigo: O “criminoso” e o “imigrante ilegal” são transformados em bodes expiatórios para todos os problemas sociais.
- Prometer mão de ferro: A solução apresentada é sempre a força bruta, a militarização e a suspensão de garantias individuais em nome da segurança.
- Explorar o medo: A campanha martela incessantemente a sensação de insegurança, usando casos de violência isolados para criar uma narrativa de pânico generalizado.
Essa é, sem tirar nem pôr, a estratégia que a extrema-direita brasileira, hoje órfã de um projeto claro após a prisão de seu líder, está montando para 2026. O discurso que culpa a “desordem” e a “criminalidade” pela deterioração do país, prometendo uma solução autoritária, já está sendo ensaiado. Os bonés “Make Chile Great Again”, vistos na celebração de Kast, são um símbolo óbvio dessa conexão ideológica.
A eleição chilena serve como um alerta contundente. Enquanto as forças democráticas debatem projetos complexos, a extrema-direita aposta em uma mensagem simples, direta e emocional, que fala ao estômago e ao medo do eleitor. O Chile de Kast é o espelho do futuro que eles desejam para o Brasil.






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