Flávio ataca bispos católicos do Brasil, que o respondem

'A mentira não se combate com outra mentira', rebate a CNBB

Por Redação
Flávio ataca CNBB
Flávio Bolsonaro, no ato flopado em Goiânia: ataque à Igreja Católica.

O candidato neofascista à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) acusou, neste domingo (27), pessoas ligadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de ajudarem a espalhar a informação de que ele teria um plano para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A acusação foi feita durante o ato flopado em uma região nobre de Goiânia — e não veio acompanhada de nenhum nome, prova ou evidência.

“O PT, eu sei hoje, já estava havia alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com a ajuda de gente de dentro da CNBB, infelizmente essa realidade”, disse Flávio.

O candidato também acusou o PT de manter uma “liga da mentira” financiada com dinheiro público e prometeu buscar a responsabilização de quem, segundo ele, participou da divulgação. A Frente Livre orgulhosamente noticiou o desenrolar do caso. Sendo assim, pode ser responsabilizada.

A resposta da CNBB

Flávio ataca CNBB Nota divulgada pela CNBB. Foto: Reprodução

A CNBB não citou o nome do candidato, mas respondeu à altura. “A CNBB não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral”, declarou a entidade, que repudiou a desinformação “independentemente de sua origem ou de quem ela possa beneficiar ou prejudicar”. A nota terminou com a frase que sintetiza o episódio:

“A mentira não se combate com outra mentira”.

A conferência afirmou ainda que atribuir à instituição participação em redes de desinformação sem fatos e provas a atinge injustamente. A entidade, que não integra candidaturas ou partidos, virou alvo da fúria de um candidato que, mais uma vez, atira sem apresentar evidência.

A origem do boato

A controvérsia começou na quinta-feira (24), após uma fala da jornalista Maria Cristina Fernandes no programa Em Pauta, da GloboNews, que mencionou um projeto antigo para alterar a referência legal a Nossa Senhora Aparecida. A fala foi associada nas redes a Flávio, embora ele não tenha apresentado o projeto nem exista registro de proposta sua com esse objetivo. A GloboNews corrigiu a informação e pediu desculpas.

O projeto citado era o PL 2.623/2007, de autoria do então deputado Victório Galli, apresentado em dezembro de 2007 e arquivado em agosto de 2008. Não há indicação de que Flávio tenha apresentado ou retomado essa proposta. Ainda assim, a informação ganhou as redes e virou uma das maiores polêmicas da campanha. Até porque o tratamento que os evangélicos brasileiros dedicam à Nossa Senhora é absolutamente desrespeitoso (veja vídeo abaixo).

O 3º boato mais viral do ano

O Instituto Democracia em Xeque monitorou o alcance: o episódio alcançou 977,6 mil publicações e 8,5 milhões de interações nas redes sociais em cerca de 55 horas, tornando-se o 3º evento político mais viral de 2026, às vésperas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Um relatório apontou que 75% dos posts sobre o caso foram negativos para Flávio Bolsonaro.

 

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O candidato reagiu também à decisão de Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que derrubou a censura de André Mendonça ao post do humorista Antonio Tabet. “O que o Flávio Dino fez hoje, seguinte, autorizou, liberou a liga da mentira do PT a atuar livremente”, afirmou. E a campanha apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral contra George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Presidência, pedindo até prisão preventiva. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) contestou, afirmando que as manifestações ocorreram em conta pessoal, fora do expediente, e que o governo defende a liberdade de expressão e de religião.

O pastor que destronaria a santa

A ironia é que a defesa de Flávio esquece um detalhe que o próprio campo dele documentou. No livro “A Bomba”, publicado em 2001, JB Carvalho, pastor de Flávio Bolsonaro, escreve que “a lei que estabelece Aparecida como padroeira no Brasil é ilegal” e defende que “está na hora de destronarmos a Rainha em nossa nação e servir ao Deus verdadeiro”. O pastor do candidato quer destronar a santa. A CNBB, que não integra partido, é que seria a “liga da mentira”.

Flávio ataca os bispos sem prova, processa quem o critica e chama de mentira o que no fundo é verdade. A mentira, como disse a CNBB, não se combate com outra mentira. E o eleitor católico, que representa uma fatia decisiva do voto, está vendo tudo — inclusive o 75% de rejeição que o episódio gerou contra o candidato.

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