Maurício Camisotti, preso desde setembro de 2025 sob suspeita de envolvimento em fraudes sobre aposentadorias e pensões do INSS, assinou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e confessou: sim, a gente roubava a Previdência. O material já foi encaminhado ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ficará responsável pela homologação.
A colaboração vinha sendo negociada desde o fim do ano passado e, segundo a apuração, já teve depoimentos colhidos pela PF. O acordo se tornou a primeira delação formalizada no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga o esquema nacional de descontos associativos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas. A defesa de Camisotti espera, depois da homologação, obter prisão domiciliar.
Esquema bilionário no INSS
De acordo com dados da Controladoria-Geral da União (CGU), 97% dos beneficiários ouvidos disseram não ter autorizado os descontos. O órgão estima que até 6 milhões de pessoas tenham sido atingidas, com impacto total de R$ 6,3 bilhões. Não se trata de desvio pequeno nem de falha burocrática: o caso expõe uma engrenagem montada para arrancar dinheiro justamente de quem deveria estar protegido pelo Estado.
As investigações apontam Camisotti como um dos principais operadores do esquema. Segundo a apuração, ele controlava as associações Ambec, Unsbras e Cebap por meio de funcionários e parentes. Juntas, essas entidades teriam faturado R$ 580 milhões apenas no último ano e, desde 2021, mais de R$ 1 bilhão.
Tutti buona gente ma tutti ladri
A delação premiada que ele está negociando pressupõe que entregue a estrutura política acima dele. Quem permitiu que as fraudes acontecessem e quem, no meio político e no governo, ganhou dinheiro com ela.
Camisotti é doador de campanha da prefeita de Palmas, Cínthia Ribeiro (PSDB), e está envolvido no caso da vacina Covaxin durante o Governo Bolsonaro. Naquele ano, começou a operar a Ambec (Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos), a Unabrasil (União dos Aposentados e Pensionistas do Brasil) e o Cebap (Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas), que eram usadas para roubar o dinheiro dos velhinhos.






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