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Greve geral e viagem de Milei
Milei partiu para os EUA, a fim de participar de um evento da extrema direita, enquanto a Argentina afunda em crise social. Foto: Xinhua
GEOPOLÍTICA

Argentina para em greve e Milei viaja aos EUA

Trabalhadores argentinos resoltados com "reforma escravagista"

BUENOS AIRES – A Argentina viveu nesta quinta-feira um dia de realidade dividida. Enquanto as ruas vazias, o transporte paralisado e as fábricas fechadas davam a dimensão da insatisfação popular com o governo, o presidente Javier Milei fazia as malas para deixar o país. No mesmo momento em que a Confederação Geral do Trabalho (CGT) anunciava o sucesso da greve geral contra o desmonte econômico, o chefe de Estado embarcava para sua 14ª viagem aos Estados Unidos, reafirmando uma desconexão alarmante com a crise doméstica.

Jorge Sola, secretário de Imprensa da CGT, definiu o cenário nas ruas como uma resposta contundente da sociedade. “O nível de acatamento à greve é importantíssimo”, declarou o dirigente, destacando que a paralisação atingiu em cheio o transporte, a indústria e o comércio. Para a central sindical, o silêncio nas grandes avenidas de Buenos Aires e do interior fala mais alto do que a retórica oficial que tenta minimizar o protesto. A greve não é apenas uma reivindicação salarial, mas um grito de socorro contra a recessão brutal induzida pelas políticas libertárias.

Turismo ideológico em meio ao colapso

Enquanto a classe trabalhadora cruzava os braços para defender seus direitos, Milei optou por cruzar fronteiras. O presidente viajou para participar da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), em Washington, onde busca mais uma foto ao lado de Donald Trump e investidores estrangeiros.

Esta é a 14ª vez que Milei viaja aos EUA desde que assumiu, um recorde que contrasta com a austeridade pregada internamente sob o slogan “não há dinheiro”. Críticos apontam que a agenda do presidente prioriza o alinhamento ideológico com a extrema-direita global em detrimento da gestão da crise argentina. Enquanto o país enfrenta inflação, desemprego e agora uma paralisia total dos serviços, o líder máximo da nação prefere o aplauso de plateias estrangeiras ao diálogo com os setores produtivos e sindicais locais.

A coincidência entre a greve geral e a viagem de Milei simboliza o momento político da Argentina: um povo que tenta frear o abismo com mobilização social e um governo que parece governar de costas para a própria população, com os olhos fixos no norte.

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