Irã ataca bases dos EUA e Trump prevê fim rápido

Teerã usa vídeo dos EUA para justificar ataques na região

ataques às bases dos EUA
Iranianos nas ruas de Teerã ainda em luto pelo líder supremo Ali Khamenei. Foto: RS/Fotos Públicas

Teerã – O governo iraniano endureceu sua postura diplomática e militar contra o eixo Washington-Tel Aviv, descartando qualquer possibilidade de diálogo futuro e justificando publicamente os ataques às bases dos EUA no Oriente Médio. A decisão ocorre em meio a uma guerra de narrativas, onde o presidente estadunidense, Donald Trump, tenta vender ao seu eleitorado a imagem de uma vitória rápida e esmagadora, enquanto o Irã expõe o uso ilegal de territórios vizinhos pelas forças de ocupação para bombardear infraestruturas civis.

A justificativa para a retaliação iraniana veio de uma fonte inusitada: a própria propaganda militar americana. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, utilizou um vídeo publicado pelo Comando Central dos EUA (CENTCOM), que mostrava o disparo de sistemas de foguetes HIMARS, para denunciar a agressão. Em suas redes sociais, o chanceler foi direto: “Obrigado CENTCOM por admitir que vocês estão usando o território de nossos vizinhos para implantar sistemas HIMARS contra nosso povo, aparentemente incluindo uma usina de dessalinização”.

O ataque americano à usina na ilha de Qeshm cortou o fornecimento de água para mais de 30 vilarejos iranianos. Diante do crime contra a infraestrutura civil, Araghchi alertou que a resposta militar é legítima. “Ninguém deve reclamar se nossos poderosos mísseis destruírem esses sistemas onde quer que estejam em retribuição”, declarou o ministro. Em entrevista à rede PBS, ele confirmou que a via diplomática está morta, ressaltando que, apesar dos progressos em rodadas anteriores de negociação, os Estados Unidos escolheram o caminho da guerra.

A retórica de Trump e o fim rápido da guerra

Enquanto o Irã consolida sua defesa, Donald Trump reuniu-se com republicanos no Congresso para defender a campanha militar, afirmando que o conflito pode terminar em breve. Sem apresentar provas, o presidente justificou a agressão alegando uma ameaça iminente: “Dentro de uma semana, eles iriam nos atacar, 100 por cento. Eles estavam prontos”.

O discurso de Trump foi marcado por um tom de deboche em relação à destruição causada. Ao relatar o afundamento de 46 navios iranianos, ele questionou um oficial militar sobre o motivo de não terem capturado as embarcações. “Nós poderíamos ter usado. Por que nós os afundamos?”, perguntou Trump. A resposta que ele compartilhou com seus aliados expõe a banalização da violência: “Ele disse: ‘É mais divertido afundá-los’. Eles gostam mais de afundá-los. Eles dizem que é mais seguro afundá-los. Eu acho que provavelmente é verdade”.

Apesar de celebrar a morte de líderes iranianos e a destruição de armamentos, Trump sinalizou que a escalada continuará. “Nós já vencemos de muitas maneiras, mas não vencemos o suficiente”, afirmou. Sobre a nomeação do Aiatolá Seyed Mojtaba Khamenei como novo líder do Irã, o presidente americano demonstrou frustração, declarando: “Nós achamos que isso vai levar a apenas mais do mesmo problema para o país”.

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