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GEOPOLÍTICA

Lula cobra Europa por adiar acordo e manda recado à França: “Sozinha, não vai barrar”

Em discurso no Mercosul, presidente defende soberania sul-americana, propõe pacto contra feminicídio e critica saudosismo de ditaduras

Foz do Iguaçu, 20 de dezembro de 2025 – Em um discurso de forte tom geopolítico durante a 67ª Cúpula do Mercosul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou a indecisão da Europa em assinar o acordo comercial com o bloco sul-americano e mandou um recado direto à França: o país não conseguirá, sozinho, impedir a conclusão do tratado que se arrasta há 26 anos.

Ao passar a presidência temporária do Mercosul para o Paraguai, Lula deixou claro que o bloco sul-americano fez sua parte. “Chegamos a um entendimento vantajoso para os dois lados. Tínhamos, em nossas mãos, a oportunidade de transmitir ao mundo uma mensagem importante em defesa do multilateralismo. Mas, infelizmente, a Europa ainda não se decidiu”, afirmou.

Posteriormente, em coletiva de imprensa, o presidente foi categórico ao afirmar que, segundo conversas com líderes europeus, “não haverá possibilidade de a França, sozinha, não permitir o acordo”, que ele espera ser assinado em janeiro.

Apesar da frustração, Lula e o Mercosul sinalizam que não ficarão reféns da Europa. O presidente reforçou que o bloco tem outras negociações em andamento, incluindo a ampliação de acordos com a Índia e tratativas com Canadá, Japão, Vietnã e Emirados Árabes Unidos.

Soberania, democracia e recado à extrema-direita

Em outro trecho de forte simbolismo, Lula defendeu a soberania regional e criticou o saudosismo de regimes autoritários. Ao lembrar os 50 anos da “Operação Condor” – a aliança entre as ditaduras do Cone Sul -, ele fez uma advertência clara.

“Esse episódio terrível nos ensinou uma valiosa lição. Se regimes ditatoriais se articularam para perseguir seus cidadãos, cabe aos governos democraticamente eleitos trabalharem juntos para garantir a todos uma vida melhor”, disse, antes de alfinetar: “Mesmo que alguns se mostrem saudosos de antigos ditadores, devemos insistir em caminhar para frente, nunca para trás”. O recado, ainda que indireto, serve para os apoiadores da ditadura chilena de Augusto Pinochet, que se sentem representados pela recente eleição de José Antonio Kast.

Lula também ressaltou a força da democracia brasileira ao sobreviver ao 8 de Janeiro, afirmando que, “pela primeira vez na sua história, o Brasil acertou as contas com o passado”, ao investigar, julgar e condenar os culpados pela tentativa de golpe.

Pacto Social e segurança

O presidente também propôs uma agenda social e de segurança robusta para o bloco. Ele defendeu a convocação de uma reunião de ministros da Justiça para fortalecer a cooperação contra o crime organizado e propôs ao Paraguai a criação de um “grande pacto do Mercosul pelo fim do feminicídio e da violência contra as mulheres”.

Integração e futuro

Por fim, Lula destacou a necessidade de avançar na integração física e energética da América do Sul, mencionando o potencial do continente na transição energética e a importância de obras como a recém-inaugurada Ponte da Integração entre Brasil e Paraguai. “A integração regional só vai ganhar concretude se tiver impacto na vida das pessoas”, concluiu.

Fonte: Com informações do Portal Vermelho

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