Lula propõe quebra de todos os sigilos dos inquéritos do STF

Vazamentos de André Mendonça protegem Flávio Bolsonaro

Por Redação
Lula quebra de sigilo
Presidente Lula propõe a quebra de sigilo de todos os inquéritos. Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou nesta quarta-feira (9) a “quebra completa do sigilo” das investigações de todas as pessoas envolvidas no caso Banco Master. Em publicação nas redes sociais, o petista voltou a criticar os “vazamentos seletivos” e afirmou que o caso exige “mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral”. “Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário”, escreveu o presidente. 

“Por isso, é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, acrescentou.

O espelho da seletividade

A cobrança de Lula é o espelho exato da seletividade de André Mendonça. O ministro retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) com mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro envolvendo Alexandre de Moraes — material que mostra tentativas do ex-controlador do Master de mobilizar integrantes do Judiciário a seu favor, sem comprovar que os pedidos foram atendidos. A escolha do momento não foi acaso: horas depois de a imprensa desmentir a versão de Flávio Bolsonaro sobre os repasses de Vorcaro, nas vésperas do 7 de Setembro. Transparência para os inimigos do clã; sigilo para quem pode enterrar o candidato. A delação do caso Dark Horse continua dormindo na gaveta do relator.

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A lição da Operação Spoofing

Não é casual que Lula tenha citado a Operação Spoofing. Foi ela que expôs as mensagens entre a força-tarefa da Lava Jato e o então juiz Sergio Moro — o mesmo que julgou o petista no Paraná e cujo herdeiro natural responde hoje pelo nome de André Mendonça, o “Novo Moro”. Em 2020, o então ministro Ricardo Lewandowski garantiu à defesa de Lula acesso ao material e retirou o sigilo. A transparência que serviu à verdade naquele caso agora é usada por Mendonça ao contrário: para blindar o filho do capitão, não para expor o esquema.

A publicação de Lula chega um dia depois de Mendonça decapitar a cúpula da PF, afastando o diretor-geral, Andrei Rodrigues, com a caneta de relator do caso Master — golpe referendado pela Segunda Turma de bolsonaristas. Quanto mais a crise fabricada toma o noticiário, mais a verdade dorme. Na quinta-feira (3), o presidente já pedia investigação “sem blindagem de ninguém, doa a quem doer”. Agora, exige quebra total de sigilo. Investigue-se todo mundo — inclusive, e principalmente, quem dorme na gaveta blindada do relator.

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