Pela primeira vez na história, um presidente brasileiro discursou na sede da Interpol, em Lyon, na França. Na manhã desta segunda-feira (9), Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma Declaração de Intenções que estabelece quatro prioridades estratégicas para a segurança pública nacional e internacional: reforçar a cooperação entre países, desarticular redes transnacionais do crime, modernizar tecnologicamente os órgãos de segurança do Brasil e da América Latina e, acima de tudo, garantir a proteção dos direitos humanos nas ações policiais.
“É preciso asfixiar os mecanismos de financiamento do crime, especialmente a lavagem de dinheiro. Nenhum país pode vencer o crime sozinho. Assim como as mudanças climáticas e a governança digital, o enfrentamento ao crime organizado exige ação coletiva”, afirmou o presidente.
Lula alertou ainda que o avanço da criminalidade internacional está acelerado pela digitalização, exigindo resposta coordenada. Citou como exemplo o Programa Ouro Alvo parceria entre Brasil e França contra o garimpo ilegal e a repressão ambiental promovida por sua gestão. Segundo ele, mais de US$ 250 milhões em bens foram apreendidos de infratores ambientais em 2023, além da inutilização de US$ 60 milhões em maquinário ilegal.
A cerimônia também serviu de palco para reconhecer a relevância da atuação brasileira no cenário policial global. Lula celebrou a eleição do delegado Valdecy Urquiza como secretário-geral da Interpol o primeiro brasileiro na história a ocupar o cargo. “É o reconhecimento do protagonismo do Brasil no combate ao crime transnacional”, afirmou o presidente.
Urquiza reforçou que o enfrentamento ao crime exige uma abordagem multilateral e integrada. “Tráfico de pessoas, exploração sexual infantil, crimes cibernéticos, ambientais, tráfico de armas e drogas… são todos crimes que atravessam fronteiras e demandam ação coordenada”, disse. “A resposta global é inegociável.”
Ao final da cerimônia, Lula foi homenageado com uma medalha da Interpol por sua liderança histórica no fortalecimento da justiça internacional. Também participou o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que ressaltou o impacto destrutivo do crime na vida social e econômica das nações. “O combate ao crime organizado não pode ser feito de maneira isolada”, disse.
[Como o Brasil se posiciona no combate ao crime internacional]
| Tema | Brasil (Governo Lula) | Padrão internacional (Interpol/ONU) |
|---|---|---|
| Cooperação Policial | Prioridade da política externa | Central nas ações multilaterais |
| Lavagem de Dinheiro | Alvo principal de repressão financeira | Diretriz estratégica em convenções globais |
| Crimes Ambientais | Integrados à segurança pública | Ainda vistos como tema separado |
| Proteção de Direitos Humanos | Compromisso explícito em ações policiais | Exigência em convenções de Genebra |
| Tecnologia e Cibercrime | Em fase de modernização e intercâmbio técnico | Foco crescente na Interpol e Europol |
Fonte: Agência GovBR






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