O presidente Vladimir Putin liderou nesta sexta-feira (9) o maior desfile militar desde o início da guerra na Ucrânia, em celebração aos 80 anos da vitória soviética sobre o nazismo. Realizada na Praça Vermelha, em Moscou, a cerimônia contou com a presença de mais de 11 mil militares, chefes de Estado de 27 países e uma demonstração de força bélica em plena escalada geopolítica.
Entre os líderes presentes estavam Xi Jinping, presidente da China, e Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil. Em seu discurso, Putin reafirmou o papel histórico da União Soviética na derrota de Hitler e afirmou que “a verdade e a justiça estão do lado da Rússia”. Ele comparou o esforço de guerra atual ao combate ao nazifascismo de 1941-1945, numa tentativa de associar o conflito na Ucrânia à luta antifascista do passado.
O que Putin disse
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“Não aceitaremos tentativas de minimizar o papel decisivo da União Soviética.”
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“Seguiremos unidos em nome da grandeza da Rússia.”
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Reforçou elogios a soldados que lutam na Ucrânia.
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Evitou citar os EUA diretamente, mas atacou o fornecimento ocidental de armas a Kiev.
Lula defende memória antifascista e multilateralismo
O presidente Lula usou suas redes sociais para afirmar que sua presença em Moscou representa “o compromisso do Brasil com a paz, o multilateralismo e a memória da luta contra o nazifascismo”. Lula também anunciou a assinatura de acordos bilaterais em Ciência e Tecnologia e a expansão de parcerias comerciais com a Rússia.
Desfile exibe poder militar e narrativa histórica
O evento começou com a tradicional marcha da Guarda de Honra carregando a Bandeira da Vitória, símbolo da derrota nazista. Mais de 180 equipamentos militares foram exibidos, incluindo:
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Tanques T-90
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Sistemas de mísseis Yars com ogivas nucleares
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Lançadores Iskander-M
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Unidades de drones de combate (estreia no desfile)
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1.500 soldados vindos da guerra na Ucrânia
No céu de Moscou, caças Su-25 desenharam a bandeira russa com fumaça tricolor.
Presenças e ausências
Estiveram presentes líderes da África, América Latina e do antigo bloco soviético, como os presidentes de Cuba, Venezuela, Egito, Belarus, Sérvia e o premiê da Eslováquia único representante da União Europeia. A ausência de líderes ocidentais serviu como contraponto à articulação do campo multipolar liderado por Rússia e China.
Na véspera, Putin e Xi Jinping divulgaram uma declaração conjunta em que acusam os Estados Unidos de elevar o risco de guerra nuclear e prometeram “resposta coordenada” a ameaças militares, tecnológicas e espaciais.
9 de Maio: símbolo do antifascismo internacional
Mais do que uma cerimônia militar, o 9 de Maio marca a vitória do socialismo sobre o nazifascismo, após o sacrifício de mais de 25 milhões de soviéticos. O Exército Vermelho não apenas derrotou Hitler, mas libertou países ocupados, apoiou movimentos de resistência e inspirou lutas de libertação na África, Ásia e América Latina.
“A comemoração é um chamado à memória coletiva dos povos que resistiram ao fascismo e continuam resistindo, sob novas formas, pela soberania e justiça social.”
Trégua ignorada, tensão mantida
Moscou anunciou uma trégua unilateral de 72 horas nos dias 8, 9 e 10 de maio. A Ucrânia rejeitou, alegando ausência de garantias.
Putin defendeu o reconhecimento das regiões anexadas e o fim do envio de armas ocidentais como pré-condição para negociações.
Xi Jinping pediu uma paz “justa e duradoura”, sem detalhar como.
A guerra, o passado e a disputa pela memória
A celebração dos 80 anos da vitória soviética atualiza o peso simbólico da Segunda Guerra Mundial na identidade russa e na sua diplomacia.
Em tempos de revisionismo histórico, sanções e conflitos armados, o ato serve como plataforma de afirmação geopolítica, sobretudo diante de um mundo cada vez mais polarizado entre o eixo EUA-OTAN e o campo multipolar liderado por Rússia e China.
Fonte: Portal Vermelho






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