Se havia alguma dúvida sobre os reais motivos da invasão da Venezuela, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a dissipou com uma sinceridade cínica e, aos olhos do direito internacional, criminosa. Em coletiva de imprensa neste sábado (3), horas após bombardear Caracas e sequestrar o presidente Nicolás Maduro, Trump não apenas confessou que o petróleo é o alvo principal, mas também descartou publicamente a líder da oposição, María Corina Machado, tratando-a como uma peça descartável no seu tabuleiro imperial.
A “estratégia do idiota útil” ficou explícita. Corina, que em outubro dedicou seu Prêmio Nobel da Paz a Trump, foi informada pela imprensa de que não terá papel relevante no futuro do país. “Acho que será muito difícil para ela ser a liderança. Ela não tem o apoio ou o respeito no país”, disparou Trump, antes de anunciar o passo seguinte: “Vamos governar o país até que uma transição adequada possa ocorrer”.
A declaração é a confissão de que o objetivo nunca foi a democracia, mas o controle direto. A promessa de Corina de entregar o petróleo aos EUA, que serviu como justificativa moral para a agressão, agora se revela desnecessária. Trump não precisa de intermediários.
“Vamos retirar uma riqueza tremenda”
Em um ato de sinceridade assustadora, Trump admitiu que a prioridade da invasão não era a democracia, nem mesmo o narcotráfico pretexto usado para justificar a presença militar na região. O objetivo é o petróleo.
“Vamos levar nossas grandes empresas petrolíferas – as maiores do mundo – para investir bilhões de dólares, consertar a infraestrutura destruída e voltar a gerar riqueza para o país”, discursou. Ao ser questionado sobre a necessidade de tropas em solo venezuelano, ele foi ainda mais claro: “Vamos ter presença na Venezuela no que diz respeito ao petróleo, porque precisamos levar nossa expertise […] Vamos retirar uma quantidade tremenda de riqueza do solo”.
A fala é a ressurreição da Doutrina Monroe em sua forma mais pura. “Por décadas, administrações anteriores negligenciaram essas ameaças. Sob a administração Trump, estamos reafirmando o poder americano em nossa região”, concluiu, deixando claro que a “América para os americanos” significa, na prática, os recursos da América Latina para os Estados Unidos.
Enquanto isso, o mundo acompanha a reação diplomática. O Brasil confirmou que irá se pronunciar na reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, convocada para a próxima segunda-feira, onde se juntará a nações como China, Rússia e Colômbia, que já condenaram a agressão.
A imagem de Maduro desembarcando algemado em Nova York, somada à confissão de Trump, não deixa margem para dúvidas. A Venezuela não foi invadida para ser libertada, mas para ser explorada. E a oposição que aplaudiu a intervenção agora descobre que, no jogo do império, peões são sempre sacrificáveis.






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