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Meta acaba com moderação para puxar saco de Trump e lucrar mais

Mark Zuckerberg anuncia em vídeo no Instagram que Meta irá mudar sistema de moderação de conteúdo.

Zuckerberg puxa saco de Donald Trump.
Mark Zuckerberg anuncia em vídeo no Instagram que Meta irá mudar sistema de moderação de conteúdo.(Fonte: divulgação no Instagram)

No dia 6 de Janeiro, o  CEO da Meta, Mark Zuckerberg, publicou um vídeo anunciando mudanças relacionadas à moderação de conteúdo e à verificação de fatos. A mensagem mostra claramente o alinhamento de Zuckerberg e da Meta com o governo Donald Trump, que tomará posse no dia 20 de janeiro.

O vídeo, com duração de cinco minutos, aborda tantas questões que o mais adequado é processá-lo por partes.

Retrocesso

A mudança de política da Meta marca um grande retrocesso na luta mundial por uma internet mais segura, inclusiva e democrática.

A Meta começou a investir em verificação de fatos, ou fact-checking, e em melhorar a moderação de conteúdo, após o escândalo da Cambridge Analytica, em 2014. Na época, foi revelado como a Cambridge Analytica, utilizando dados privados dos usuários do Facebook, conseguiu manipular a opinião pública por meio de fake news para vencer eleições e plebiscitos.

Esse evento desencadeou uma série de ações, tanto da sociedade civil quanto de governos, que contribuíram para melhorias na moderação de conteúdo do Facebook e Instagram.

Essas melhorias protegiam as comunidades mais vulneráveis. A importância do fact-checking também foi vista durante a pandemia de Covid-19 e nas eleições recentes.

Dá para dizer que todo o problema foi resolvido? Claro que não. Até mesmo porque, quando estamos lidando com um problema complexo como esse, é impossível esperar que ele seja resolvido rapidamente. E, também, que uma única solução será suficiente ou perfeita.

O objetivo deve ser a contínua caminhada na direção da solução. Ou seja, implementar soluções, investigar as falhas, integrar melhorias, voltar a investigar novas falhas, criar novas soluções etc. É um trabalho contínuo.

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A decisão da Meta irá marcar um enorme retrocesso em relação à resolução desse problema complexo. Esse retrocesso afeta principalmente pessoas mais vulnerabilizadas porque libera o discurso de ódio e elimina políticas de proteção que ajudavam a tornar o Facebook e Instagram um lugar mais seguro e inclusivo.

A falta de moderação de conteúdos contra desinformação coloca em risco processos democráticos como eleições, questões de saúde e também a discussão sobre as mudanças climáticas, tópicos que poderão afetar milhares de pessoas em todo o mundo.

O retrocesso não é apenas na luta por uma internet mais segura, inclusiva e democrática, mas também na luta por um mundo melhor.

Viés

Zuckerberg também expressou preocupação sobre o viés da moderação. Não chegou a dizer isso em seu pronunciamento, mas faz parte das mudanças anunciadas no time de moderação, chamado de Trust and Safety, da Califórnia para o Texas.

A Califórnia é um estado mais progressista do que o Texas e, por isso, as decisões do time californiano tendem a se alinhar com a luta pelos direitos humanos. O Texas, por ser um estado mais conservador, provavelmente terá um time com menos direcionamento para a defesa dos direitos humanos.

Esse incômodo com o viés na moderação de conteúdo não aparece quando ele é adotado pelos algoritmos que a plataforma utiliza para disponibilizar conteúdos aos usuários. No momento em que as plataformas de mídia sociais deixaram de usar a ordem cronológica da publicação de conteúdo na exibição para os seus usuários, elas começaram a controlar e, de certa forma, a censurar o conteúdo consumido pelas pessoas.

Um exemplo é o famoso ‘shadow banning’, onde o algoritmo esconde certos tipos de conteúdos dos usuários. O alcance de algumas publicações é bem menor em comparação com o de outras. Isso é o que vem acontecendo com conteúdos pró-palestina no último ano. Parece que esse tipo de censura não incomoda  Zuckerberg.

Alinhamento com Trump

A preocupação não é com censura ou liberdade de expressão – mas sim em se alinhar politicamente com a administração Trump e garantir o lucro. Acima de tudo está o lucro. Não ter que investir em mudanças para respeitar regulamentações também irá aumentar o lucro. Além disso, conteúdos polêmicos como fake news ou discursos de ódio tendem a manter as pessoas engajadas e, assim, mais anúncios serão visualizados, aumentando o lucro com anunciantes.

Zuckerberg não está apenas copiando o X ao mudar suas políticas de moderação. A participação ativa de Elon Musk na política é um exemplo visto como uma grande oportunidade para as empresas do Vale do Silício.

Zuckerberg fez questão de demonstrar seu engajamento com o governo Trump. A política de Trump cai muito bem com os interesses das big techs. Ter uma administração que irá bancar as brigas contra as tentativas de regulamentações vinda de outros países e que, possivelmente, apoiará mudanças de governo (golpes) em lugares estratégicos e com recursos naturais que essas empresas precisam é uma oportunidade de lucro e crescimento.

No vídeo, ele fez questão de mencionar a interferência internacional como problema, citando a China, Alemanha (Europa) e a América Latina. E, de quebra, deu uma indireta ao Brasil devido ao caso recente do STF contra o X ao dizer que ‘existem cortes secretas’ na América Latina. É engraçado ver Zuckerberg preocupado com cortes secretas na América Latina enquanto nos EUA existe a FISC ou FISA, uma corte secreta que emite as ordens de coleta de dados para o sistema de vigilância massiva do país.

A falta de transparência nesse processo é tão grande que, se alguém for responsável por um serviço online e receber uma carta da FISA obrigando a entrega de dados dos seus clientes, não se pode nem mesmo conversar com um advogado sobre o assunto.

Mas o problema nunca é nos EUA. A visão de excepcionalismo que os EUA têm fica bem clara na declaração de Zuckerberg.

O futuro está em nossas mãos

O sinal dado pelo anúncio de Zuckerberg, do perigo do monopólio das big techs à democracia, não é novo, mas sim mais um sinal forte. É preciso agir. As lideranças mundiais devem pedir explicações sobre como a Meta irá funcionar em relação às suas legislações locais.

As regiões que ainda não possuem regulamentação específica para as big techs precisam avançar no debate e começar a implementar essas regulamentações o quanto antes.

Mas não basta regulamentar as big techs: é preciso, também, criar alternativas ao monopólio tecnológico que elas controlam. Para mim, o melhor exemplo de como fomentar essas alternativas é a partir do apoio de governos ao desenvolvimento de software livre (FOSS). A América Latina teve um avanço gigantesco quando esse tipo de apoio era parte da política regional. Todos saíram ganhando: os setores público e privado, bem como a sociedade civil.

A declaração do CEO da Meta não deveria ser vista como uma derrota, apesar de marcar um grande retrocesso. Ela demonstra que precisamos sair do domínio das big techs o quanto antes. Essa é mais uma etapa na batalha contínua por um mundo menos dominado pelas big techs, onde a internet é segura, inclusiva e democrática.

Fonte: Intercept Brasil

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