CIDADE DO MÉXICO – A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, mergulhou o México em um cenário de guerra urbana. Após a confirmação de que o líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) foi abatido pelo Exército, a organização criminosa deflagrou uma violenta contraofensiva que paralisou diversas cidades e espalhou terror por pelo menos cinco estados mexicanos neste domingo (22).
As redes sociais foram tomadas por registros da população civil encurralada. Os vídeos mostram comandos armados assumindo o controle de vias principais, disparos de armas longas e o incêndio de veículos de transporte público. O modus operandi do cartel incluiu a interceptação de motoristas, que tiveram seus carros roubados para a formação de barricadas em chamas.
A resposta do CJNG não se limitou a Puerto Vallarta. Houve ataques diretos contra a Guarda Nacional na rodovia para Chapala e emboscadas contra policiais estaduais e municipais em pontos estratégicos de Guadalajara, como a Calzada del Ejército e a avenida Revolución.
Diante da magnitude dos ataques, o governador de Jalisco, Pablo Lemus, declarou “Código Vermelho”. A medida extrema resultou no desdobramento total das forças de segurança, na suspensão das atividades civis e no cancelamento de eventos de massa. A população permanece abrigada enquanto as autoridades tentam retomar o controle dos territórios ocupados pelo crime organizado.
O peso da governança criminal
A reação brutal do cartel não é um evento isolado, mas o sintoma de uma estrutura de poder paralela. Em levantamento realizado pela Frente Livre, estudos acadêmicos explicam a dinâmica dessa violência estrutural.
A pesquisa “Ruling Violently: The exercise of criminal governance by the Mexican Cartel Jalisco Nueva Generación”, publicada na Revista Científica General José María Córdova, detalha como o CJNG exerce uma verdadeira governança criminal, utilizando o terror não apenas como retaliação, mas como ferramenta de controle territorial e social.
Além disso, análises de pesquisadores da Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM) sobre a militarização da segurança pública apontam para os efeitos da chamada “estratégia de decapitação” (Kingpin Strategy). A literatura acadêmica demonstra que, ao abater os grandes líderes dos cartéis, o Estado frequentemente provoca a fragmentação violenta dessas organizações, resultando em disputas sangrentas e contraofensivas massivas que afetam diretamente a população civil, perpetuando o ciclo de violência no país.






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