Após cinco meses à frente do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), o bilionário Elon Musk anunciou sua saída do governo dos Estados Unidos. A decisão marca um rompimento público com o presidente Donald Trump, a quem Musk ajudou a reeleger em 2024 e com quem agora diverge em relação ao projeto orçamentário que amplia gastos públicos e o déficit fiscal.
Em publicação na rede social X, da qual é dono, Musk agradeceu ao presidente “pela oportunidade de reduzir os gastos supérfluos”, mas lamentou o avanço de uma proposta orçamentária que “mina o trabalho de enxugamento do governo” realizado por sua equipe. O projeto, apelidado por Trump de “lei grande e bonita”, já foi aprovado pela Câmara e aguarda votação no Senado.
“Fiquei decepcionado ao ver esse projeto de gastos imensos, francamente, que aumenta o déficit orçamentário”, afirmou Musk em entrevista à CBS News. Ele ironizou o apelido da proposta: “Pode até ser grande ou bonita, mas duvido que consiga ser as duas coisas ao mesmo tempo”.
A Casa Branca tentou minimizar o atrito. O assessor presidencial Stephen Miller declarou que os cortes sugeridos pelo DOGE dependeriam de aprovação separada no Congresso. Ele defendeu o projeto de Trump, que amplia os cortes de impostos iniciados em 2017 às custas de programas sociais.
Críticos apontam que tais mudanças podem comprometer o acesso à saúde de milhões de estadunidenses de baixa renda. Analistas independentes alertam para um possível aumento de até US$ 4 trilhões no déficit nacional em dez anos.
Musk, que também comanda empresas como Tesla, SpaceX e Starlink, afirmou que a experiência em Washington foi mais difícil do que imaginava. Em entrevista ao Washington Post, disse que a burocracia federal “é muito pior” do que esperava e que a tentativa de reformá-la “é uma batalha árdua”. Ele admitiu que não atingiu todos os objetivos, embora tenha promovido a demissão de dezenas de milhares de servidores públicos e a extinção de departamentos inteiros.
A ruptura entre o magnata e o governo ocorre após Musk reduzir seu envolvimento no DOGE para retomar foco nos negócios privados. A saída formal confirma o distanciamento político e expõe fissuras internas na administração Trump diante de uma agenda fiscal controversa e com forte impacto social.
BOX
[Por que a gestão de Elon Musk no governo dos EUA foi um fiasco?]
1. Prometeu cortar custos, mas aumentou o déficit
Ao assumir o comando do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), Elon Musk anunciou uma cruzada contra os “gastos supérfluos” do Estado. No entanto, durante sua gestão, o projeto orçamentário apoiado por Trump aumentou o déficit federal em trilhões de dólares. Musk criticou publicamente a medida, mas já não tinha mais influência para barrá-la.
2. Cortou milhares de empregos, mas sem critério
Sob seu comando, o DOGE demitiu dezenas de milhares de funcionários públicos, inclusive de setores essenciais. As demissões foram abruptas, algumas sem aviso prévio, gerando críticas de especialistas em gestão pública e sindicatos. O enxugamento foi visto como improvisado e danoso ao funcionamento básico do Estado.
3. Fechou agências inteiras sem apresentar alternativa
Diversos departamentos federais foram extintos ou reduzidos drasticamente sem plano de reestruturação, o que paralisou programas sociais e técnicos. A medida foi classificada por congressistas como “desmantelamento irresponsável da máquina pública”.
4. Falhou em articular apoio político
Musk, sem experiência política ou institucional, não conseguiu articular apoio no Congresso para consolidar seus projetos. Muitos de seus planos exigiam aprovação legislativa, mas ele não formou base aliada nem dialogou com lideranças partidárias.
5. Priorizou empresas privadas e conflitos de interesse
Críticos apontam que Musk atuou com foco excessivo em interesses empresariais. A Starlink, por exemplo, foi favorecida em contratos públicos durante sua permanência no cargo, levantando suspeitas de conflito de interesse.
6. Saiu sem entregar resultados concretos
Ao fim de sua curta passagem, Musk admitiu que não atingiu os principais objetivos. Apesar da retórica reformista, sua gestão terminou marcada por cortes caóticos, piora no déficit e frustração entre aliados e servidores.
Resumo – A atuação de Musk no governo dos EUA é vista como um experimento mal-sucedido: tecnocrático, desorganizado e sem resultados estruturais. Prometeu eficiência e entregou instabilidade.
Fonte: Brasil de Fato






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