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GEOPOLÍTICA

Os detalhes desconhecidos das 20 horas mais tensas na relação dos governos Petro e Trump

O choque devido ao recebimento de dois aviões de deportados causou uma das piores crises do governo Petro

Traduzido do jornal colombiano El Tiempo

Bogotá (COL) – Um dos últimos movimentos do chanceler Luis Gilberto Murillo – além de ajudar a sufocar a crise deste fim de semana entre Washington e Bogotá pelo tema – foi a de montar um bloco migratório de países para analisar e enfrentar as medidas do segundo mandato do presidente Trump em matéria de arranqueira, drogas e deportados, entre outros.

“Ele (Trump) falou muito sobre migração, há questões comerciais que teremos que discutir e uma abordagem distinta da abordagem da política de controle de drogas”, disse Murillo e, de fato, discutiu isso com governos ideologicamente afins.

China e o impasse Trump vs. Petro

De fato, neste fim de semana, quando a crise entre Washington e Bogotá eclodiu pela recusa do governo Petro de aceitar dois voos militares com 160 compatriotas expulsos por crimes migratórios e comuns, um par de países desse bloqueio saiu para se pronunciar.

Através de sua conta oficial no Telegram, o ditador Nicolás Maduro disse:

“Presidente Gustavo Petro, conte com a experiência e a força do povo venezuelano. Para sempre estaremos juntos, Colômbia e Venezuela em paz e diálogo profundo. Ambos os povos, inspirados em nosso Libertador Simón Bolívar, saberemos superar as dificuldades. Juntos, consolidemos nossa independência, construamos a prosperidade de nossos povos na América Latina e no Caribe. Deus conosco!”.

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, chamou de chantagem as represálias comerciais e diplomáticas dos Estados Unidos à Colômbia: “Nosso apoio ao presidente Gustavo Petro em sua digna defesa dos direitos dos colombianos e sua resposta ao tratamento discriminatório e ao chantagem com o qual se pretende pressionar seu povo e nossa América”.

E embora a presidente do México, Claudia Sheinbaum, tenha sido prudente e pedido mais informações, o presidente do Senado daquele país, Gerardo Fernández Noroña, também apoiou a decisão do presidente Petro: “O presidente Donald Trump não tem que humilhar nenhum ser humano; a política que está impondo é infame. Chama-se fascismo”.

A China também se referiu ao impasse e, de passagem, estabeleceu uma posição sobre a expulsão de seus compatriotas e o caminho que tomará.

Em uma coletiva de imprensa da porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, referiu-se nesta segunda-feira, 27 de janeiro, à crise entre os Estados Unidos e a Colômbia.

A uma pergunta direta de um meio de comunicação, ele disse: “Se trata de um assunto entre os Estados Unidos e a Colômbia. Esperamos que ambos os países resolvam isso adequadamente”.

Mas manifestou qual será a posição da China sobre as deportações em massa de seus compatriotas: “O governo chinês se opõe firmemente a qualquer forma de migração ilegal. Realizamos uma cooperação prática com os departamentos de Migração e aplicação da lei dos Estados Unidos e de outros países, que tem sido frutífera. No que diz respeito à repatriação, o princípio da China é receber repatriados cuja nacionalidade chinesa seja confirmada na China continental após a verificação”.

Analistas disseram ao EL TIEMPO que é claro que, além da questão migratória, a resposta desmedida de Trump neste fim de semana se deve às posições da Colômbia em outras questões como Venezuela, Cuba e a avançada China neste lado do hemisfério relacionado a portos e grandes obras de infraestrutura.

‘É uma mensagem além da questão migratória’

Para alguns analistas especialistas em segurança e geopolítica, é claro que a resposta desproporcional do governo Trump à recusa da Colômbia de receber seus compatriotas sem protocolos e acordos prévios, é uma mensagem que vai além da questão migratória.

De fato, o presidente dos Estados Unidos, entre outras coisas, ordenou a aplicação de tarifas de emergência para os produtos colombianos e a proibição de viagens e revogação imediata de vistos para funcionários do governo colombiano e todos os seus aliados e apoiadores, entre outras medidas.

“É claro que, além do tema migratório, o governo Petro está sendo enviado uma mensagem sobre suas posições diante da ditadura de Nicolás Maduro na Venezuela, com a qual ele continua mantendo relações, com sua defesa ao regime cubano, que Trump acaba de retornar à lista de países que apoiam o terrorismo e até mesmo à frente da China neste lado o hemisfério”, disse o especialista em segurança e defesa Johan Obdola ao EL TIEMPO.

E o especialista acrescentou que até mesmo as agências federais estão investigando a emergência humanitária que se desencadeou na região do Catatumbo colombiano e a inferência do regime de Maduro.

O cientista político Carlos José Herra concorda com Carlos Charry, diretor do doutorado em estudos sociais da Universidade do Rosário, que se trata de um tema migratório.

“Podemos dizer que a medida do presidente Trump pode ser tomada como desproporcional, mas é legítima. Tem um pano de fundo ideológico. De fato, no comunicado Trump menciona Petro como socialista e o atual presidente dos Estados Unidos, desde sua campanha sempre teve um discurso totalmente contrário a essa ideologia”, disse Charry.

E o especialista acrescentou que até mesmo as agências federais estão investigando a emergência humanitária que se desencadeou na região do Catatumbo colombiano e a inferência do regime de Maduro.

Em entrevista ao EL TIEMPO, o ex-embaixador dos Estados Unidos na Colômbia, Kevin Whitaker, apoiou a postura dos dois analistas, garantindo que, no caso colombiano, os assuntos com os Estados Unidos se estendem aos migrantes, Venezuela, Cuba e à expansão da China e à luta contra as drogas.

E acrescentou: “O que aqui prima agora são os direitos humanos dos migrantes. A Colômbia tem que ser responsável e fornecer a ajuda necessária. Vai ser muito difícil um diálogo pelas características dos dois governos, posturas mais ideológicas do que pragmáticas. Para proteger esses direitos, a Colômbia tem que baixar o tom ideológico, evitar o uso excessivo de redes e usar canais oficiais”.

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