NOVA DÉLHI – O Brasil subiu ao palco global nesta sexta-feira (20) para demarcar sua posição na corrida tecnológica do século XXI. Durante a Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, realizada na Índia, uma comitiva de ministros apresentou a visão estratégica do país para o setor, ancorada no recém-lançado Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). Com um orçamento robusto de R$ 23 bilhões até 2028, a mensagem de Brasília foi clara: o país não aceitará ser apenas um mercado consumidor para as big techs, buscando autonomia, inclusão social e governança global.
A apresentação brasileira foi desenhada para mostrar unidade de Estado. A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, abriu os trabalhos detalhando o PBIA. Segundo ela, o investimento bilionário tem como foco reter talentos e desenvolver infraestrutura própria, como supercomputadores (HPC), para evitar a fuga de cérebros. “A soberania digital é a capacidade do Brasil de entender, desenvolver e regular tecnologias essenciais para a sociedade e a democracia”, cravou a ministra.
A IA no cotidiano: do posto de saúde à sala de aula
A estratégia do governo foge da visão puramente comercial da tecnologia e tenta aplicá-la nas urgências do país. A ministra da Gestão, Esther Dweck, explicou que o foco nos serviços públicos é criar um “governo proativo”, utilizando assistentes inteligentes para facilitar a vida do cidadão, mas sempre com foco na mitigação de riscos e no uso responsável dos dados.
Na Educação, a diretriz é evitar que a tecnologia aprofunde o abismo social. O ministro Camilo Santana alertou que a IA só será válida se dialogar com a garantia de acesso e permanência dos alunos, da educação básica ao ensino superior. Já na Saúde, Alexandre Padilha destacou o potencial do Sistema Único de Saúde (SUS) como um laboratório em escala continental. Para ele, o Brasil tem o peso necessário para liderar a construção de um ambiente seguro e soberano na saúde digital para todo o Sul Global.
A geopolítica dos algoritmos
O encerramento do painel coube ao chanceler Mauro Vieira, que elevou o tom diplomático ao ecoar o discurso feito pelo presidente Lula no dia anterior. Vieira alertou para a “militarização do uso de dados” e a concentração de poder nas mãos de poucas corporações.
“A tecnologia por si só não é neutra. Seus impactos dependem das escolhas políticas que fizermos coletivamente”, afirmou o ministro das Relações Exteriores, reforçando o apelo brasileiro por uma governança global da IA. A tese central do Itamaraty é que, sem regras claras e multilaterais, a inteligência artificial deixará de ser uma ferramenta de inovação para se tornar um instrumento de dominação geopolítica e econômica.






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