A demissão de Ludmila Lavocat Galvão da Procuradoria Geral do DF se deu depois de um chilique antecedido por uma crise de pânico do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. E o destempero teve um pivô: o ex-governador do DF e atual deputado federal, Rodrigo Rollemberg (PSB).
A história verdadeira não apareceu em nenhum jornal, coluna, site, nota oficial nem nada. Até agora.
Convidado pela Associação dos Procuradores do DF, Rollemberg compareceu ao almoço em comemoração ao Dia do Advogado, no dia 11, no restaurante Gran Bier, no Pontão do Lago Sul. O encontro é feito anualmente. Entre drinques e comidinhas, os advogados públicos falam bem de si mesmos, cantam, dançam e, sobretudo, fofocam sobre a corte brasiliense.
Até aí tudo bem.
Causídico longevo antes de virar político, Ibaneis costuma prestigiar eventos dos antigos colegas de profissão. Sua presença estava tão confirmada para o mesmo almoço, que as meninas do cerimonial foram para o restaurante com a antecedência devida e prepararam a presença do chefe, inclusive informando ao gabinete antes do deslocamento se o quórum já estava alto para justificar a ilustre presença e também quem eram as autoridades presentes.
Mas Ibaneis, sabe-se lá porquê, nutre ódio a Rollemberg. Quando lhe chegou a informação de que o “abelhudo” estava por ali, ficou possesso. Soltou palavrões. Disse que não ia mais.
Curiosamente, o ex-governador e deputado federal ficou pouco tempo, não mais do que quarenta minutos. Saiu justamente para evitar constrangimento ao sucessor — Rollemberg é um crítico duro da gestão atual do GDF, como era de se esperar, mas é um político íntegro e leve.
Também por causa ignorada, Ibaneis botou o que julgou ser uma “intromissão” na conta da procuradora-geral Ludmila. E bradou, à Rainha de Copas: cortem-lhe a cabeça! No mesmo dia, anunciou Márcio Wanderley de Azevedo como novo procurador-geral.
Depois, já recomposto, cunhou uma mensagem singela, quase carinhosa sobre Ludmila, em entrevista ao site Metrópoles. Disse: “Só tenho a agradecer o excelente trabalho da procuradora-geral, a nossa amizade pessoal, com ela e com a família, e o meu profundo apreço pelo trabalho dos nossos procuradores. Sem a procuradoria, ninguém governa o Distrito Federal”.
Ibaneis já havia demitido Ludmila em outras ocasiões. Sempre que acontecera, porém, ele estava já na parte do dia em que o estresse do cargo o leva aqueles momentos em que seus gestos ganham uma fluidez incomum, parecem seguir um ritmo próprio, ligeiramente desafinado do ambiente. Por isso mesmo, a demissão, até então, nunca fora pra valer. Ludmila sempre voltava ao expediente e o chefe nem lembrava do acontecido.
Desta vez, com Rollemberg na mesa dos procuradores, ele não esqueceu.
Ludmila é formada em direito pela Universidade de Brasília (UnB) e tem doutorado em direito processual civil pela Universidade de São Paulo (USP).Entrou na PGDF em 1996. Foi promovida por antiguidade em 2001 e, por merecimento, em 2016 para subprocuradora-geral.
Atuou inicialmente na área contenciosa da 1ª Subprocuradoria e, em seguida, na consultiva no Centro de Contratos, Convênios e Licitações. Trabalhou também na Procuradoria Administrativa (Procad) e na Gerência de Assuntos Constitucionais, participando de importantes casos, como a Intervenção Federal nº 5.179 no STF.
Foi membro efetivo do Conselho Superior da Procuradoria-Geral em dois biênios. Em 2019, assumiu o cargo mais alto da Procuradoria-Geral do Distrito Federal, nomeada por Ibaneis.






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