A governadora em exercício Celina Leão nomeou em novembro do ano passado, Luís Miranda para o cargo de assessor especial. O ex-deputado federal, que não conseguiu se reeleger em 2022, voltou ao serviço público justamente quando seus problemas judiciais se acumulavam. Agora a Justiça determinou que 20% do salário dele seja bloqueado todo mês para pagar uma dívida de R$ 301 mil com investidores.
O detalhe perverso dessa história: é o brasiliense quem banca. Miranda recebe pelo trabalho no GDF com dinheiro do contribuinte, e parte desse valor vai direto para cobrir os prejuízos que ele causou em negócios particulares nos Estados Unidos. O juiz que autorizou o bloqueio foi direto ao ponto: existem várias ações judiciais sobre as mesmas operações financeiras, e Miranda simplesmente não paga o que deve.
Antes de entrar na política, Miranda construiu uma audiência no YouTube ensinando brasileiros a empreender nos EUA. O canal virou trampolim eleitoral em 2018, quando se elegeu deputado federal fazendo campanha de Miami. Depois de perder a reeleição, tentou manter o negócio das consultorias e investimentos, mas deixou um rastro de gente no prejuízo.
Miranda alega que todo mundo sabia dos riscos ao investir com ele. Pode até ser. O problema é que dezenas de pessoas contam a mesma história de dinheiro que sumiu, promessas que não se cumpriram, contratos que viraram pó. Todos representados pelo mesmo advogado, todos batendo na mesma tecla. O Portal R7 classificou o caso como golpe financeiro ao cobrir a decisão judicial desta semana.
Celina sabia disso quando assinou a nomeação. Colocou Miranda na folha de pagamento do DF ciente de que a Justiça estava atrás dele. Agora o governo paga o salário, a Justiça retém parte para cobrir dívidas privadas, e quem sustenta essa engrenagem é o contribuinte brasiliense. É assim que funciona quando se governa para os amigos.
Fonte: Diario de Ceilândia






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