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VIDA

Solução de Ibaneis para o tráfico é prendê-los ainda mais jovens

Governador defende redução da maioridade penal em meio a chacina no Rio de Janeiro

Enquanto o Complexo da Penha vivencia a maior operação policial e o episódio mais letal da história do Rio de Janeiro, as declarações do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e de parlamentares da Câmara Legislativa do DF (CLDF) repercutem e expõem a polarização política sobre a violência e o papel do Estado no combate ao crime organizado.

Durante evento público em Brasília, o governador Ibaneis Rocha defendeu revisão da maioridade penal e o endurecimento das penas. Segundo ele, a impunidade alimenta a criminalidade e desmotiva o trabalho policial.

“Nós temos que cobrar das nossas autoridades responsabilidade, porque é um meliante que, na mesma hora, é solto, e o policial volta para casa decepcionado. Essa legislação que permite que adolescentes pratiquem crimes graves e não sejam punidos é uma desgraça para a sociedade”, disse o governador.

A fala de Ibaneis, embora centrada na legislação penal, ocorre no auge da comoção nacional diante da chacina no Complexo da Penha e foi interpretada por parte da oposição como um gesto de apoio indireto ao governo do Rio, comandado por Cláudio Castro (PL), acusado de ter autorizado uma operação “de extermínio”.

Operação mais letal

Desde a madrugada de terça-feira (28), o Rio de Janeiro enfrenta um cenário descrito por moradores como “de guerra”. A megaoperação, deflagrada pelo governo fluminense contra a expansão territorial do Comando Vermelho, mobilizou cerca de 2.500 agentes civis e militares nos Complexos da Penha e do Alemão.

Até o momento, mais de 130 mortes já foram contabilizadas. Ainda nesta quarta-feira (29) moradores localizaram dezenas de corpos na mata da Serra da Misericórdia. Entre as vítimas confirmadas, quatro são policiais.

A ação paralisou a vida cotidiana de mais de 200 mil pessoas que vivem nas 26 favelas da região. Escolas suspenderam as aulas, unidades de saúde fecharam e linhas de ônibus foram desviadas. A Secretaria de Segurança Pública do Rio classificou a ofensiva como uma tentativa de “retomar o controle de áreas dominadas pelo tráfico”, enquanto organizações de direitos humanos denunciam execuções sumárias e desaparecimentos.

“Chacina inaceitável”

Durante a sessão na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), que ocorreu na tarde desta quarta-feira (29), o deputado distrital pastor Daniel de Castro (PP-DF) apresentou opiniões semelhantes às do governador Ibaneis Rocha e prestou solidariedade às forças de segurança envolvidas na operação.

O parlamentar lamentou as mortes, mas afirmou que o país vive “um cenário dominado pelo narcotráfico” e que os ataques à gestão fluminense partem “da esquerda que defende o mal”. “Eu me solidarizo principalmente com os policiais que perderam suas vidas. O Rio foi tomado por bandidos.”, declarou o deputado.

Também na CLDF, o deputado Fábio Félix (Psol-DF) classificou a operação no Rio como uma “chacina inaceitável” e acusou o governo de Cláudio Castro de promover uma política de morte nas favelas.

Para Félix, a repercussão “naturaliza a barbárie” e ignora o fato de que “nenhum líder do crime organizado foi preso”. “Não se combate o crime atirando em todo mundo na rua. É o governo do fracasso, e o silêncio das autoridades é cúmplice dessa violência”, afirmou.

Na mesma linha, o deputado Max Maciel (Psol-DF) criticou o uso da força sem planejamento e destacou que o Estado do Rio tinha recursos para investir em segurança e inteligência, mas preferiu transformar as favelas em “palco de guerra”. “Zero por cento do Rio está mais seguro hoje. Só sobe a polícia, e todo mundo que mora na favela automaticamente é tratado como bandido”, disse.

O deputado Gabriel Magno (PT-DF) ampliou o debate ao relacionar a escalada da violência com a política de armamento civil e a atuação dos CACs, colecionadores, atiradores e caçadores. “O maior financiador de munição para o crime organizado vem dos CACs. E quem defendeu os CACs neste país? Os mesmos partidos que hoje tentam justificar essa operação”, afirmou. Para Magno, as declarações de Ibaneis e da vice-governadora Celina Leão representam “vergonha e cumplicidade com a barbárie”.

O deputado Chico Vigilante (PT-DF) qualificou o episódio como “a quarta-feira mais terrível da história brasileira”. “O que aconteceu foi extermínio. Mães perderam filhos que não tinham qualquer registro policial e agora são tratados como bandidos. Isso é a falência completa da segurança pública”, afirmou.

Fonte: Brasil de Fato

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