Um dia após uma invasão militar que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e deixou ao menos 80 mortos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou a tensão ao ameaçar diretamente a nova líder da Venezuela. Em entrevista, Trump afirmou que a presidente interina, Delcy Rodríguez, enfrentará um “preço muito alto”, possivelmente “maior do que o de Maduro”, caso não coopere com Washington.
A ameaça foi reforçada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, que, embora tenha mencionado a possibilidade de diálogo, condicionou qualquer avanço à “decisão correta” por parte do governo venezuelano, alertando que os EUA continuarão a usar “diversas ferramentas de pressão”. Rubio também descartou a realização de eleições no curto prazo, afirmando que há “muito trabalho pela frente”.
As declarações marcam o mais novo capítulo de uma crise sem precedentes, iniciada na madrugada de sábado (3), quando uma operação militar americana bombardeou Caracas e sequestrou Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Segundo Trump, o casal foi levado a um centro de detenção em Nova York para ser julgado por narcotráfico — acusação absurda e feita sem qualquer rigor investigativo ou judicial. O presidente americano confessou, no entanto, o real interesse na operação: o controle do petróleo. Ele anunciou que empresas americanas assumiriam a exploração das maiores reservas do planeta e que os EUA governariam o país diretamente até uma “transição adequada”.
A ofensiva, descrita pelo jornal The New York Times como tendo causado pelo menos 80 mortes entre civis e militares, foi confirmada como um banho de sangue pelo próprio Trump, que admitiu que “muitos cubanos morreram” na ação, supostamente por integrarem a segurança de Maduro.
Resistência institucionalizada
Contrariando as expectativas de um colapso do Estado, as instituições venezuelanas se reorganizaram. A Câmara Constitucional da Suprema Corte determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assumisse o comando do Executivo. A decisão foi imediatamente endossada pelas Forças Armadas.
Em comunicado oficial, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, reconheceu Rodríguez como presidente interina e afirmou que os militares garantirão a governabilidade e a defesa nacional contra a “agressão imperial”. A nota, que exalta o legado de Hugo Chávez, classifica a captura de Maduro como um “sequestro covarde” e as mortes de soldados e civis como “assassinatos a sangue frio”.
Continente fraturado
A invasão expôs uma profunda divisão na América Latina, culminando no fracasso da reunião de emergência da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC), que terminou sem um consenso.
De um lado, um bloco formado por Brasil, México, Chile e Colômbia condenou a violação da soberania. Do outro, governos alinhados a Trump, como Argentina, Paraguai, Equador e El Salvador, comemoraram a queda de Maduro, usando a mesma retórica de Washington.
Fonte: Com informações do ICL Notícias e da Agência Brasil






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