O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (29) que a Venezuela e seus arredores estão com o “espaço aéreo fechado”, intensificando a pressão militar contra o país caribenho. A declaração foi feita em sua rede Truth Social em meio ao clima de tensão crescente. Trump também reiterou que ofensivas terrestres contra a Venezuela começarão “muito em breve”, sem apresentar cronograma ou detalhes operacionais.
Na publicação, Trump direcionou a mensagem a “companhias aéreas, pilotos, narcotraficantes e traficantes de pessoas”, utilizando expressões que não haviam sido usadas pela Casa Branca em alerta oficial anterior. Em 21 de novembro, a Administração Federal de Aviação (FAA) havia pedido apenas “cautela” no sobrevoo do território venezuelano. A escalada das declarações causa impacto direto nas rotas aéreas da região e aumenta o temor de ações militares iminentes.
Trump afirmou durante conferência online para militares estadunidenses no Dia de Ação de Graças que “detivemos quase 85% das drogas por mar e também começaremos a detê-los por terra. Por terra é mais fácil, mas isso começará muito em breve”. O mandatário não apresentou documentação que comprovasse o dado apresentado, nem forneceu detalhes sobre como uma eventual ação terrestre ocorreria ou quando seria realizada.
A declaração representa escalada significativa na retórica de Trump contra Caracas. A Casa Branca acusa Nicolás Maduro de liderar o suposto Cartel de los Soles, apontado como “organização narcoterrorista”. Porém, as ameaças carecem de fundamentação documentada ou cronograma específico.
No mesmo dia da declaração de Trump, o presidente venezuelano Nicolás Maduro respondeu afirmando que os venezuelanos estão dispostos a pegar em armas para defender o país. “Se for preciso pegar em armas, o faremos e teríamos um destino de triunfo e dignidade”, disse Maduro durante celebração do 105º Aniversário da Aviação Militar Bolivariana.
A resposta de Maduro reflete disposição do governo venezuelano em confrontar ameaças militares dos Estados Unidos. Porém, a população civil enfrenta incerteza sobre possíveis consequências de escalada militar.
Fechamento do espaço aéreo e impacto econômico
Na noite de quarta-feira (26), o Instituto Nacional de Aeronáutica Civil da Venezuela revogou a licença de voo para seis companhias aéreas, incluindo a brasileira Gol. A justificativa aponta que as empresas “se somaram às ações de terrorismo de Estado promovidas pelo governo dos Estados Unidos, suspendendo unilateralmente suas operações comerciais de e para a República Bolivariana da Venezuela”.
O fechamento do espaço aéreo afeta rotas comerciais regionais e prejudica economia venezuelana. A medida reflete resposta de Caracas às pressões estadunidenses e à suspensão de operações aéreas por companhias internacionais.
Guerra psicológica e risco de invasão terrestre
Rosana Fernandes, coordenadora na Venezuela da Brigada Internacionalista Apolônio de Carvalho do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), afirma que as ameaças de Trump fazem parte de guerra psicológica contra os venezuelanos, mas que risco de ataque direto não pode ser descartado.
“Os inimigos do povo são capazes de qualquer atitude para aniquilar as forças organizadas. A guerra psicológica é uma forma de pressionar a organização popular e política da Venezuela. Então, não podemos duvidar de uma invasão terrestre, para colocar à prova a resistência do povo venezuelano”, disse Fernandes.
Segundo Fernandes, embora a vida em Caracas siga em ritmo quase inabalável, as ameaças de Washington provocam efeitos na população. “Não há dúvida que a guerra psicológica é bastante forte e profunda para o povo venezuelano”, afirma. Porém, ela destaca que o país mantém sua organização. “Temos percebido que há uma preocupação, mas também que as pessoas estão com muita disposição, tanto para continuar fazendo a sua vida cotidiana, quanto para se preparar para uma possível ação direta. A disposição é perceptível a partir dos alistamentos voluntários realizados nos últimos meses.”
Ofensiva militar intensificada desde agosto
A ofensiva mais intensa de Trump contra Caracas ocorre desde o fim de agosto, quando os primeiros navios militares foram enviados ao mar do Caribe. No mês seguinte, bombardeios a embarcações começaram, deixando mais de 80 mortos.
Nas últimas semanas, Trump tem enviado mensagens contraditórias. Afirmou, em mais de uma ocasião, estar aberto a conversa com Maduro. Ao mesmo tempo, diz não descartar possibilidade de ação militar contra o país caribenho.
Quando ler sobre os ataques dos EUA à Venezuela, leve sempre em consideração a questão econômica. O prêmio Nobel da paz deste ano foi concedido à dissedente venezuelana María Corina Machado, adversária de Nicolas Maduro. Ela, numa entrevista concedida logo após o anúncio do prêmio, anunciou o que pretende fazer caso assuma o poder na Venezuela. Veja abaixo:
Fonte: Brasil de Fato






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