O governo de Donald Trump anunciou hoje (20) um recuo em sua política de pressão econômica contra o Brasil, suspendendo as tarifas adicionais de 40% que incidiam sobre produtos-chave do agronegócio, como carne bovina, café, açaí e cacau. A medida, oficializada em uma ordem executiva, representa uma trégua na guerra comercial iniciada por Washington, mas deixa claro que a suspensão é condicional e será monitorada de perto.
A sobretaxa havia sido imposta em julho pela ordem executiva 14.323, sob a alegação de que políticas do governo brasileiro representavam uma “ameaça à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA” uma justificativa considerada desproporcional e uma forma de chantagem por analistas de relações internacionais. A suspensão, que passou a valer retroativamente desde 13 de novembro, foi apresentada como um gesto de boa vontade após uma conversa telefônica entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro.
Recuo após diálogo
No texto da nova ordem, Trump admite que o diálogo com o presidente brasileiro abriu caminho para a mudança. “Participei de uma conversa telefônica com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, durante a qual concordamos em iniciar negociações para abordar as preocupações”, afirma o documento. Segundo a Casa Branca, houve “progresso inicial” nessas negociações, o que justificou a retirada das tarifas sobre o setor agrícola.
A Casa Branca, no entanto, deixou claro que a trégua é condicional. O secretário de Estado, Marco Rubio, um conhecido “hardliner” em política externa, foi designado para monitorar o andamento das negociações e poderá sugerir a reimposição das tarifas ou novas medidas, caso julgue necessário. A decisão expõe a fragilidade da posição brasileira diante das táticas de pressão de Washington e serve como um lembrete de que, para a Frente Livre, a soberania nacional e a diversificação de parceiros comerciais são pautas inegociáveis.






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