A JBS, maior produtora de carne do mundo, está sob suspeita de exportar para a União Europeia produtos de gado criado em fazendas ilegais no Pará, estado que se prepara para receber a COP30. Um relatório da Human Rights Watch (HRW), divulgado nesta quarta-feira (15), revela como a pecuária ilegal devasta a Amazônia e viola direitos de comunidades indígenas e pequenos agricultores.
A investigação aponta que a prática ilegal afeta diretamente áreas como a Terra Indígena Cachoeira Seca, do povo Arara, e o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Terra Nossa. Neste último, 45% da área já foi convertida em pasto, com moradores relatando um cenário de violência e ameaças. “A substituição da floresta por pasto reduz drasticamente a biodiversidade, altera o ciclo das águas e contribui para o aumento das emissões de carbono”, alerta a cientista Karin Brüning, destacando a crise ambiental e humanitária.
Utilizando guias de trânsito animal (GTAs), a HRW identificou um esquema de “lavagem de gado”: fazendas ilegais forneceram animais para propriedades regularizadas, que por sua vez venderam para frigoríficos da JBS. Essa triangulação permite que produtos contaminados por desmatamento cheguem a mercados exigentes.
O problema central é a falta de rastreabilidade completa na cadeia produtiva brasileira, uma falha que permite burlar normas como o Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), que entrará em vigor em 2026. Questionada, a JBS afirmou que monitora seus fornecedores diretos e que, a partir de 2026, exigirá informações sobre toda a cadeia de abastecimento.
Para especialistas, a solução exige cooperação internacional e pressão dos países importadores. “A União Europeia tem papel essencial ao endurecer regras e exigir auditoria das cadeias produtivas. Pressão e transparência precisam andar juntas”, conclui Brüning.

Fonte: Agência Pública






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