Dólar
R$ 4.96 Desceu
Euro
5.804 Desceu
Brasília
25°C 26°C 17°C

Explore Mais

Colunas exclusivas e conteúdos especiais

Chapas puro-sangue Bolsonaro
Michele Bolsonaro e Bia Kicis com o presidente do PL, Waldemar Costa Neto: da Papuda, Bolsonaro mandou radicalizar na formação de chapas ao Senado. Foto: Natanael Alves/PL
BRASIL

Da Papuda, Bolsonaro faz plano para tomar o Senado

Ibaneis é descartado e aposta é Michelle e Bia Kicis para o Senado no DF

De dentro da Papuda, Bolsonaro rifa Ibaneis e forma chapa puro-sangue ultra-neo-fascista para o Senado. Fará o mesmo no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

O recado enviado do cárcere é direto e enterra de vez a política de acomodação. No Distrito Federal, o governador Ibaneis Rocha (MDB), que contava com o apoio bolsonarista para disputar a Casa Alta, foi sumariamente descartado. A vaga será ocupada por uma dobradinha de estrita confiança ideológica: Michelle Bolsonaro (PL) e a deputada federal Bia Kicis (PL).

A guilhotina política também desceu sobre o Sul do país, atropelando aliados históricos de primeira hora. Em Santa Catarina, o senador Esperidião Amin (PP) foi escanteado para dar lugar a Carlos Bolsonaro (PL) — que transferiu seu domicílio eleitoral — e Carol De Toni (PL), contrariando até mesmo o governador Jorginho Mello (PL). No Rio Grande do Sul, o expurgo atingiu o senador Luis Carlos Heinze (PP), substituído pelos deputados Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo).

O Senado como trincheira contra o STF

A mensagem é inequívoca: a extrema direita não quer apenas vencer eleições, mas moldar um Senado radicalizado, coeso e combativo. O objetivo central dessa “pureza ideológica” não é legislar, mas eleger uma maioria capaz de controlar a presidência da Casa e viabilizar processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Para Bolsonaro, o Senado tornou-se o verdadeiro eixo de poder capaz de conter a Suprema Corte.

A estratégia de confronto direto também mira o Nordeste, território historicamente dominado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo PT. Interlocutores do PL confirmam que o modelo “puro-sangue” será replicado em estados como Bahia, Ceará e Pernambuco. A ordem é romper com o Centrão e lançar nomes da ala radical, transformando a eleição de 2026 em um plebiscito institucional sobre o papel do Judiciário.

O preço do isolamento

O custo político dessa ruptura, no entanto, é altíssimo. Ao substituir a “lógica da coalizão” pela “lógica da lealdade pessoal”, Bolsonaro estreita perigosamente seu raio de alianças. Nomes como Ibaneis, Amin e Heinze não eram adversários eventuais, mas parceiros que sustentaram o bolsonarismo em seus momentos mais críticos.

Do ponto de vista tático, a aposta faz sentido para quem busca uma bancada orgânica, já que duas vagas estarão em disputa em cada estado. Contudo, a política brasileira raramente recompensa movimentos de fechamento excessivo. Resta saber se o jogo bruto de isolar parceiros produzirá a sonhada maioria radical ou se apenas aprofundará as fraturas no próprio campo conservador antes mesmo das urnas abrirem.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Final da página
WhatsApp

Frente LIVRE

Normalmente responde dentro de uma hora
Frente LIVRE

Olá 👋

Fale com o ciberporto da esquerda popular ✊💡

20:57