O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi acometido por um surto gravíssimo de amnésia seletiva. Flagrado desfrutando do conforto de um Embraer 505 Phenom 300 durante a campanha de 2022, o autoproclamado paladino da moralidade bolsonarista agora jura de pés juntos que não faz a menor ideia de quem é o dono da aeronave. Por um “acaso” do destino, o jatinho pertence a Daniel Vorcaro, o banqueiro por trás do escândalo bilionário do Banco Master. Para Nikolas, a viagem de dez dias por nove estados numa tal caravana “Juventude pelo Brasil” foi apenas um milagre logístico bancado por um fantasma generoso.
A encenação, contudo, não resistiu a um simples cruzamento de fatos. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) tratou de ridicularizar a versão de Nikolas no Congresso Nacional, lembrando que o parlamentar e o banqueiro já foram vistos dividindo o mesmo espaço sagrado na Igreja Batista da Lagoinha. “A gente já estava achando estranho porque o Vorcaro tinha o telefone do Nikolas”, ironizou o petista, expondo a intimidade que o bolsonarista agora tenta desesperadamente apagar de sua biografia.
A trindade profana: banco, igreja e extrema direita
O buraco, no entanto, é muito mais profundo do que uma simples carona aérea não declarada. O jatinho de Vorcaro é apenas a ponta metálica de um ecossistema que mistura fé, dinheiro público e blindagem política. Lindbergh fez questão de lembrar que Fabiano Zettel, cunhado do dono do Banco Master e pastor, foi o maior doador individual das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022. Zettel é a chave-mestra dessa trindade profana: ele operou os fundos que irrigaram um resort ligado à família do ministro Dias Toffoli (STF) e, de quebra, viabilizou a compra da Rede Super de Televisão para a família Valadão, os padrinhos políticos de Nikolas na Lagoinha.
É exatamente essa teia de favores que explica o comportamento histérico de Nikolas Ferreira em janeiro deste ano. Quando a Polícia Federal prendeu Fabiano Zettel na Operação Compliance Zero, o deputado não dobrou os joelhos para orar; ele correu para as redes sociais para fabricar o caos. Em questão de 48 horas, inventou a mentira de que o governo taxaria o PIX e convocou uma bizarra “Marcha pela Liberdade”. A liberdade, no caso, era a dos operadores financeiros de sua igreja. O garoto prodígio do bolsonarismo provou que, por trás do discurso moralista, atua apenas como o guarda-costas barulhento de um esquema bilionário que agora começa a ruir.
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