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Daniel Vorcaro Banco Master
Vorcaro em mensagem de celular: "Esse negócio de banco parece máfia". Fotos: Rovena Rosa/Agência Brasil e RS/Fotos Públicas
ECONOMIA

Isolado, dono do Master expõe teia de corrupção

PF dispensa delação após devassa no celular de Vorcaro

A prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, escancarou as entranhas de uma organização criminosa que operava nas sombras do poder e do mercado financeiro. Transferido para uma cela de isolamento na Penitenciária 2 de Potim (SP), onde ficará por dez dias, o banqueiro vê seu império ruir a partir do próprio celular. As mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) revelam que o Master funcionava, na prática, como o banco do centrão, irrigando relações políticas, financiando milícias digitais e travando guerras sujas contra concorrentes.

O volume e a gravidade das provas extraídas dos aparelhos de Vorcaro e de mais de 100 dispositivos apreendidos são tão contundentes que a PF já avalia não precisar de uma delação premiada do empresário para concluir a Operação Compliance Zero. A base probatória é autossuficiente para mapear o esquema de lavagem de dinheiro, corrupção e intimidação.

Política, xingamentos e a “emenda Master”

A intimidade de Vorcaro com a cúpula do Congresso Nacional é um dos pontos mais sensíveis da investigação. Nos diálogos com a namorada, o banqueiro relata jantares na residência oficial com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e celebra a atuação de seu “grande amigo”, o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Vorcaro comemorou efusivamente quando Ciro apresentou uma emenda para ampliar a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão — manobra que o mercado batizou de “emenda Master”, por beneficiar diretamente a captação do banco do centrão.

A lealdade política de Vorcaro, no entanto, era movida apenas por conveniência. Quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) publicou no X (antigo Twitter) uma reportagem sobre a demissão de gerentes da Caixa Econômica Federal que barraram operações do Master, o banqueiro não poupou xingamentos. Em mensagens privadas, chamou Bolsonaro de “idiota” e “beócio”, revelando o incômodo com a repercussão negativa que a postagem gerou.

Milícia, Interpol e a guerra contra o BTG

O braço armado do esquema era comandado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, que recebia cerca de R$ 1 milhão mensais para monitorar e coagir adversários. A PF suspeita que a milícia de Vorcaro comprou credenciais na deep web para acessar ilegalmente sistemas do Federal Bureau of Investigation (FBI) e da Interpol, antecipando passos das autoridades. O arquivo de crimes de Sicário foi encerrado de forma trágica: preso na quarta-feira (4), ele tentou suicídio na carceragem da PF em Minas Gerais e teve morte cerebral confirmada no hospital.

A estrutura paralela de intimidação também era usada para tentar limpar a imagem do banco na imprensa e atacar rivais. Vorcaro discutiu com Sicário o pagamento de R$ 50 mil mensais ao site Diário do Centro do Mundo (DCM) para retirar reportagens negativas — o portal nega qualquer acordo. Ao mesmo tempo, o banqueiro travava uma “guerra” declarada contra André Esteves, dono do BTG Pactual, a quem acusava de plantar notícias falsas e de manipular o Banco Central do Brasil para destruir o Master.


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