A peça que faltava no quebra-cabeça envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e o escândalo do Banco Master acaba de aparecer. Um furo jornalístico da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, revelou uma troca de mensagens no WhatsApp entre o dono do banco, Daniel Vorcaro, e o magistrado. O diálogo ocorreu na manhã do dia 17 de novembro, data em que o banqueiro acabou preso, e entrega a “materialidade” que faltava para explicar o nebuloso contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro.
Até então, como nenhum centavo desse valor astronômico havia sido efetivamente pago, a presunção era de que nenhum serviço havia sido prestado. A conversa interceptada pela Polícia Federal (PF) no celular de Vorcaro, no entanto, deixa claro que havia uma encomenda feita e uma cobrança por resultados.
Às 7h19 daquela manhã, em meio ao desespero para evitar a ruína, Vorcaro escreveu para Moraes:
“Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”
A resposta do ministro veio em seguida, mas o conteúdo exato se perdeu na criptografia: Moraes enviou três mensagens de visualização única, que se apagam automaticamente após a leitura. Há também registros de telefonemas entre os dois e mensagens anteriores, de outubro de 2025, que também foram apagadas.
A corrida contra a cadeia e a negativa do STF
A pergunta de Vorcaro sobre “conseguir bloquear” escancara o que o banco esperava obter com o contrato milionário. Naquele dia, o banqueiro já sabia que havia um inquérito sigiloso apurando a venda de carteiras de crédito fraudulentas ao BRB. Ele obteve essa informação acessando ilegalmente os sistemas da PF e do Ministério Público, além de contar com a corrupção de dois chefes de supervisão do Banco Central, Paulo Sergio Souza e Belline Santana.
Enquanto cobrava Moraes, o Master fazia movimentos desesperados. Os advogados de Vorcaro peticionaram à 10ª Vara Federal de Brasília tentando impedir medidas cautelares, apenas 18 minutos após o juiz Ricardo Leite assinar o mandado de prisão. Para justificar o conhecimento do inquérito sigiloso, a defesa usou uma reportagem do site O Bastidor — que, segundo a PF, foi paga pelo próprio Vorcaro para “esquentar” a informação vazada. Simultaneamente, o banco anunciava a venda para o grupo Fictor e investidores árabes.
Procurado, Alexandre de Moraes negou a existência do diálogo periciado pela PF. Por meio da assessoria do STF, o ministro afirmou que não recebeu as mensagens e classificou o caso como uma “ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal”.
Apesar da rede de proteção e da encomenda milionária, o serviço não foi entregue a tempo. Vorcaro foi preso às 22h daquele mesmo dia, no aeroporto de Guarulhos, quando tentava fugir para Dubai em um jato particular. O Master foi liquidado no dia seguinte, mas o recibo da relação umbilical com a cúpula do Judiciário ficou registrado no aparelho celular do ex-banqueiro.
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