Ambientalistas e moradores do Distrito Federal realizaram um protesto neste domingo (15) contra a decisão do governador bolsonarista Ibaneis Rocha (MDB) de entregar a Serrinha do Paranoá como garantia para cobrir o rombo bilionário do Banco de Brasília (BRB). A área de 716 hectares, de extrema relevância ecológica e hídrica, foi incluída no pacote de nove imóveis públicos rifados pelo Governo do Distrito Federal (GDF) para assegurar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), após o manacial de fraudes e o desastre financeiro envolvendo o Banco Master.
A manifestação, ocorrida no Eixão do Lazer, denunciou o risco de impermeabilização da chamada Gleba “A”, que abriga 119 nascentes fundamentais para o abastecimento do Lago Paranoá. Especialistas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) alertam que a entrega do terreno para a especulação imobiliária transferirá o custo da irresponsabilidade fiscal para a população, ameaçando a segurança hídrica da capital em um cenário de agravamento das mudanças climáticas.
Apesar dos apelos de órgãos como o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), Ibaneis Rocha sancionou o projeto, minimizando os impactos e negando a existência de nascentes no local. A medida extrema de hipotecar estatais como Novacap e Caesb, além de áreas ambientais, escancara o desespero do governo para salvar o BRB da crise de liquidez gerada pela compra suspeita de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master, cujo dono, Daniel Vorcaro, está preso por crimes financeiros.
Lucros privados, prejuízo ambiental
A socialização do prejuízo ambiental e financeiro contrasta de forma brutal com os negócios privados do clã governista. Enquanto o patrimônio público é colocado na guilhotina, a Polícia Federal (PF) investiga a compra de um duplex de R$ 10 milhões pelo filho de Ibaneis, o advogado Caio Carvalho Barros. A transação imobiliária utilizou um empréstimo de R$ 5,9 milhões do próprio BRB e verbas da Reag Investimentos — gestora ligada ao Banco Master e suspeita de lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
O negócio do filho ocorreu logo após o escritório de advocacia da família fechar um contrato de R$ 38 milhões com um fundo da Reag, na mesma época em que o BRB iniciava as operações ruinosas com o Master. Para os manifestantes e a oposição na Câmara Legislativa, a equação é clara: os lucros das operações financeiras suspeitas irrigam o núcleo duro do governo, enquanto a conta do escândalo é paga com a destruição das nascentes e a entrega do patrimônio histórico dos brasilienses.






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