O escândalo financeiro que abala a República ganhou um novo e explosivo capítulo no Distrito Federal. Mensagens interceptadas revelam que a relação entre Ibaneis e Banco Master vai muito além de tratativas institucionais. O governador bolsonarista Ibaneis Rocha (MDB) se encontrou com o banqueiro Daniel Vorcaro no dia 29 de agosto, exatamente uma semana antes de o Banco Central (BC) vetar a compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). Em mensagens enviadas à namorada, Vorcaro confessou que estava na capital com o governador combinando uma “estratégia de guerra” e que iriam “para o ataque” na semana seguinte.
A revelação dessa conspiração joga luz sobre as manobras recentes e desesperadas do Palácio do Buriti para salvar o BRB, que ficou com o caixa comprometido após as operações frustradas com o banco do centrão. Para viabilizar a recapitalização da instituição financeira estatal, Ibaneis decidiu rifar até o patrimônio ecológico do Distrito Federal, ignorando alertas de especialistas e da sociedade civil.
O acordo entre Ibaneis e Banco Master
A “estratégia de guerra” desenhada no encontro tinha a ver com a compra do Master pelo BRB. O negócio foi proposto pelo GDF e aprovado pelos deputados distritais. Só não saiu porque o Banco Central vetou. Antes mesmo de concretizá-lo, porém, o BRB comprou R$ 16 bilhões em papéis do Banco Master, dos quais pelo menos R$ 12 bilhões eram flagrantemente fraudados ou grosseiramente falsificados.
A operação foi tão brutal para o BRB que hoje o banco de Brasília precisa tomar dinheiro todos os dias no mercado financeiro para conseguir fechar o caixa. Falido, o GDF não tem como injetar dinheiro sendo o controlador da instituição e, por isso, pediu permissão à Câmara Legislativa para tomar um empréstimo bilionário junto ao Fundo Garantidor de Crédito, de forma a fechar o rombo na Tesouraria do BRB.
O governo bolsonarista de Ibaneis ofereceu então nove imóveis pertencentes ao Distrito Federal para servirem de garantia a este empréstimo. Lá, estão não somente as sedes das estatais de Brasília (Novacap, Caesb, CEB), como o Centrad de Taguatinga e, pasmem, a chamada Gleba A da Terracap, uma área gigante de cerrado na Serrinha do Paranoá.

Inclusão da Serrinha do Paranoá em projeto de capitalização do BRB gera críticas de ambientalistas. Foto: Lucia Mendes
Um parecer elaborado pelo Laboratório de Geoestatística e Geodésia da Universidade de Brasília (UnB) aponta que lá há cinco microbacias hidrográficas que alimentam a sub-bacia do Ribeirão do Torto e o Lago Paranoá. O estudo indica que a região pode responder por cerca de 37% da vazão do Ribeirão do Torto, que contribui significativamente para o abastecimento do lago.
Mesmo diante de protestos, Ibaneis afirmou nesta quinta-feira (5) que não pretende retirar a área do pacote de garantias, chegando a negar a existência de nascentes no local.
Ao transformar terras públicas de altíssimo valor ambiental em ativos financeiros para cobrir os rombos de um banco estatal envolvido com o esquema de Vorcaro, a aliança entre Ibaneis e Banco Master expõe como a política bolsonarista opera: privatizando os lucros, socializando os prejuízos e destruindo o meio ambiente para proteger aliados do mercado financeiro.






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