A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) protagonizou mais um capítulo de subserviência ao Palácio do Buriti. Por 14 votos a 10, os deputados distritais aprovaram nesta terça-feira (3) o Projeto de Lei nº 2.175/2026. A medida entrega nove imóveis públicos de empresas como Terracap, Novacap, Caesb e Ceb para garantir um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O objetivo real da manobra não é segredo para ninguém: cobrir o rombo bilionário deixado pelas operações desastrosas do Banco de Brasília (BRB) com o Banco Master.
É preciso ser implacável com a hipocrisia que dominou o plenário. Os mesmos 14 deputados que agora entregam o patrimônio dos brasilienses para salvar o banco são aqueles que, no ano passado, chancelaram a nebulosa associação do BRB com o Master. Eles autorizaram o desastre de olhos fechados e, agora, repetem o voto para socializar o prejuízo com a população.
A lista da cumplicidade com o rombo é formada por:
- Daniel Donizet (MDB),
- Doutora Jane (Republicanos),
- Eduardo Pedrosa (União),
- Hermeto (MDB),
- Iolando (MDB),
- Jaqueline Silva (MDB),
- Joaquim Roriz Neto (PL),
- Jorge Vianna (PSD),
- Martins Machado (Republicanos),
- Pastor Daniel de Castro (PP),
- Pepa (PP),
- Robério Negreiros (PSD),
- Roosevelt Vilela (PL) e
- Wellington Luiz (MDB).
Eles agiram como despachantes de uma tragédia financeira anunciada.
O teatro, o microfone aberto e o enquadramento
Os bastidores da sessão revelam o nível de tensão e fisiologismo da base governista. Antes de votar o projeto principal, os deputados tiveram que analisar um requerimento de convocação do presidente do BRB, Nelson de Souza. A autoria foi do deputado Thiago Manzoni (PL), que, mesmo sendo apoiador de Ibaneis, cobrou a apresentação de documentos que justificassem o socorro. O projeto acabou aprovado a toque de caixa, atropelando os questionamentos.
O momento mais revelador da noite, porém, não estava no roteiro oficial. Após a votação nominal, o presidente da CLDF, Wellington Luiz, esqueceu o microfone aberto. A transmissão captou o desespero do emedebista chamando nervosamente o líder do governo: “– Hermeto!! Hermeto!! O Joaquim votou a favor, o Joaquim votou a favor!!”.
A tensão tinha um motivo claro. Joaquim Roriz Neto (PL) não apenas compõe a base de Ibaneis Rocha, como sua esposa, Clara Roriz, ocupa a Secretaria de Estado de Atendimento ao Cidadão. Minutos depois do flagra, já devidamente enquadrado pelas engrenagens do poder, Roriz Neto votou a favor do projeto do GDF para cobrir o rombo do BRB com o Master.
A guilhotina de Ibaneis
Para quem ousou desafiar o roteiro do Buriti, a resposta foi imediata e brutal. O governador Ibaneis Rocha não esperou o dia amanhecer. Em edição extra do Diário Oficial do Distrito Federal (DODF), a guilhotina desceu sobre os indicados dos deputados Thiago Manzoni (PL) e Rogério Morro da Cruz (PRD), que votaram contra o projeto.
Foram sumariamente exonerados o secretário de Projetos Especiais, Marcos Araújo Pinto Teixeira; o administrador de São Sebastião, Roberto Medeiros Santos; o administrador do SIA, Bruno Oliveira; e o diretor-presidente do Jardim Botânico, Alan Freire Barbosa da Silva. A mensagem de Ibaneis foi cristalina: no balcão de negócios do GDF, quem não ajuda a pagar a conta do Master com dinheiro público, perde a cadeira.






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