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duplex do filho de Ibaneis
Caio de Carvalho com Ibaneis: o filho é o atual chefe do escritório de advocacia do pai. Foto: Reprodução Instagram
BRASIL

Duplex do filho de Ibaneis motiva pedido de CPI

Imóvel de R$ 10 mi usou verba da Reag, ligada ao Master

A Polícia Federal (PF) investiga a transação imobiliária que tornou crítica a crise política no Distrito Federal. A compra do duplex do filho do governador bolsonarista do DF, Ibaneis Rocha (MDB), o advogado Caio Carvalho Barros, envolveu recursos originados da Reag Investimentos e um empréstimo milionário do Banco de Brasília (BRB).

O negócio de R$ 10 milhões no Noroeste, área nobre da capital, gerou forte reação na Câmara Legislativa (CLDF), onde deputados já articulam a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Documentos revelam que Barros, que atua no escritório Ibaneis Advogados e Consultoria, adquiriu o imóvel de 467 metros quadrados por R$ 9,25 milhões em março de 2025.

Segundo a apuração, parte do pagamento do duplex do filho de Ibaneis utilizou verbas de um fundo da gestora Reag, que seria abastecido com dinheiro ligado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Uma semana antes da aquisição, Barros contraiu um empréstimo de R$ 5,9 milhões junto ao BRB, instituição controlada pelo governo de seu pai.

A operação imobiliária ocorreu logo após o escritório de advocacia da família fechar um contrato de R$ 38 milhões com um fundo ligado à Reag para a venda de honorários de precatórios.

Esse negócio foi firmado pouco antes de o BRB iniciar a compra de carteiras de crédito do Banco Master, instituição que tem a gestora como uma de suas estruturas centrais. O histórico do imóvel também chama a atenção: antes de se tornar o duplex do filho de Ibaneis, a propriedade sofreu uma defasagem atípica de 7,5% em relação ao seu valor de mercado.

Pressão por CPI na Câmara

Diante das revelações, a oposição no Distrito Federal intensificou a cobrança por apurações rigorosas. O deputado distrital Chico Vigilante (PT-DF) defendeu a instalação imediata de uma comissão para investigar as transações. Em discurso no plenário, o parlamentar relatou a pressão popular nas ruas e propôs uma união dos 24 deputados para assinar o requerimento de investigação.

“Mas isso é grave”, alertou Vigilante. “Propus que a gente faça uma reunião de todos os deputados, todos os 24, e que a gente, ao exemplo do que nós fizemos na CPI de 8 de janeiro, que a gente assine um requerimento […] e que a gente instale a CPI pra investigar essa roubalheira”. O deputado destacou que a população tem cobrado respostas em mercados e feiras, questionando a postura do Legislativo local.

Para o parlamentar, a omissão não é uma opção diante do escândalo.

“Nós não vamos deixar do jeito que tá. Portanto, a gente precisa imediatamente ter essa reunião, instalar a CPI, e eu me disponho a estar na CPI junto com mais cinco membros, já que a gente passa o Distrito Federal a limpo, mostre à sociedade o tamanho do rombo e responsabilize os culpados”, concluiu.

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